domingo, 24 de maio de 2020

                         Do silêncio fez-se o medo
Os direitos serão sempre consequência dos deveres. Porque acontecem por vezes atitudes de extremismo ou radicalismo? Porque os culpados começam a sentir fugir-lhes o tapete debaixo dos pés, muito à custa dos seus sucessivos erros, e serão quase sempre aqueles que provocaram esse tipo de comportamentos, e que dependerá muito dos contornos a nível de que uma sociedade possam vir a atingir. Será que mesmo revoltados, teremos que manifestar a nossa tolerância a toda a corrupção da classe política? Será que mesmo desiludidos, teremos que continuar a manter a nossa fidelidade a um partido e ou organização  política que em nada defendeu os nossos fundamentais interesses dos cidadãos, apenas e tão só os dos que os patrocinam? Será que mesmo defraudados, teremos que manifestar a nossa concordância com uma justiça que continua a tratar tantos crimes que mereceriam outras penalizações e outros desfechos, que não um perdão, uma redução de pena,  uma isenção, ou até simplesmente ignorar-los? cada vez que discordamos ou estando radicalmente contra alguma medida ditada pelos governantes, se não manifestar-mos essa intolerância, estaremos a tornar-nos «cúmplices» de um crime perante a sociedade. Uma acto de dignidade, de coragem e de cidadania sempre que nos seja exigido e sem qualquer tipo de medos em manifestar a nossa discordância naquilo que realmente e durante tanto tempo tem castigado a nossa sociedade. Porque por vezes o próprio estado cria a revolta dos cidadãos. Os casos mais latentes são, por exemplo: de serviços ou negócio com o estado e que os prestadores demoram tempo infinito para reaverem o seu dinheiro, por vezes até o perdem, ou nos reembolsos de pagamentos ao estado, mas quando somos chamados a cumprir com o nosso contributo, os prazos têm de ser cumpridos à risca. (pagam-se impostos daquilo que ainda não se recebeu). Daí que o próprio estado é mau exemplo quando no cumprimento de deveres sobrepondo aos direitos. Ao aparecer na cena política alguém que contraia o regime, corrige os maus hábitos, denuncia os erros de forma convicta e pretende reduzir ou eliminar dos cidadãos o medo da indignação e da revolta, logo os defensores do regime que os protege, os sustenta, e manipula a sociedade que manifestamente continua a usar o silêncio como forma de protesto, o medo para reivindicar e a ignorância para apoiar uma modelo de regime que sobrevive muito à custa da ingenuidade do seu povo, e que infelizmente em 46 anos de democracia, ainda não conseguiu  se libertar dos medos e erradicar a miséria herdada do antigo regime. Estaremos a um passo do virar a página à democracia, se aqueles que manifestamente se sentem defraudados e que com a abstenção, manifestam em silencio a sua revolta, abraçarem um projecto que faça ouvir a voz do desânimo, da desilusão, do descontentamento e da revolta, porque a democracia permite mudar sem medo a falhar.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

                               Um golpe no estado
E pensar que estaríamos no «bom caminho» para uma potencial recuperação económica e financeira do país, eis que: um rude golpe de um inimigo (importado) e invisível, interrompe todos os projectos possíveis. Voltamos a ter de recomeçar tudo de novo. Será pois esta a grande oportunidade de corrigir com os erros, acabar com os maus hábitos e erradicar os vícios e virarmos-nos para o essencial. Até aqui pareceu existir dois países, o dos cidadãos e o dos partidos políticos, o nosso tem sido o do deixa andar, enquanto que os grupos, os lobbies, sociedades secretas, a banca, enfim um enorme leque de sugadores do contributo a que os portugueses são obrigados. Quem ousa vir à luz pública opinar contra qualquer modelo de «subversão» contra o regime, os media têm comentadores pagos pelos D.D.T. para desviarem ou até contrariarem quaisquer tipo de esclarecimento, e a manipulação continua amarrando a um sistema que (condiciona) aquilo que deveria e que se exige da autêntica liberdade. Será que foi este o motivo que inspirou o 25 de Abril, é esta a ética política que sonharam os portugueses com a emoção criada à volta do derrube de um regime que limitava além da liberdade, a imaginação e a criatividade do seu povo? Se continuar-mos à espera que os partidos mudem, eles não mudam, pois os seus interesses e aquilo que até aqui os sustenta têm estado salvaguardados, até talvez pela ingenuidade, ignorância e ou inércia dos cidadãos. Para que algo mude terá de haver uma mudança profunda da mentalidade dos portugueses, nunca se conseguirá mudanças, mantendo o modelo de organização que até aqui serviu para gerar o actual estado de revolta, de descontentamento e desanimo generalizado, já não basta só criticar, a partir de agora os portugueses terão que se organizar, participar e agir se realmente acharem que algo terá de mudar, terá de começar pela atitude e o comportamento dos cidadãos. Começar por mudar o modelo da economia, criando basicamente condições para que dependamos cada vez menos do exterior, valorizando o que realmente tem valor.  Na educação; incentivando nas crianças e nos jovens a vontade e a disponibilidade de estarem ao serviço da cidadania, abdicando do consumismo desacerbado, da ostentação, da vaidade, da vingança, da arrogância e do egoísmo. Gastam-se fortunas em saúde, mas muito pouco na prevenção que reduziria de forma drástica custos ao tratamento de muitas doenças. Na justiça; onde as leis penalizem drasticamente os criminosos, estabeleçam normas para recuperar e inserir cidadãos regenerados à sociedade, e não fazer da justiça um (negócio) como até aqui, erradicar a corrupção, o nosso pior flagelo. Existem muitos portugueses com vontade de servir, criar núcleos de cidadão que possam realmente sentir uma vocação de serviço à nação, com opiniões, projectos e acções que aportem algo em prol do melhoramento substancial das condições em todos os sectores, e não como até aqui, servirem-se dos dividendos que o estado e a a nação produzem. Não fiquem à espera que os partidos mudem, teremos de ser nós e só com o trabalho, o esforço, a dedicação, a humildade, a honestidade e a vontade de servir, mudará a realidade do nosso país. Com mudar radicalmente o nosso modo de agir será o verdadeiro golpe no estado a que chegou a situação em Portugal.