terça-feira, 28 de abril de 2026

     Sem professores que país tremos amanhã?

 A urgência do estado da nação: Portugal e a educação, que futuro queremos?                                     Portugal tem razões legítimas para se orgulhar do percurso que fez na educação ao longo das últimas décadas. Durante o período do Estado Novo, o analfabetismo era uma realidade dominante: atingia cerca de 68% da população no seu início e, mesmo no final desse regime, ainda rondava os 25%. Após o 25 de Abril, o país realizou um esforço notável que permitiu reduzir esse valor para cerca de 3%. Trata-se, sem dúvida, de uma das maiores conquistas da democracia portuguesa.                                   No entanto, seria um erro olhar apenas para esse sucesso e ignorar os problemas que entretanto surgiram. Um dos mais preocupantes foi a incapacidade de reter muitos dos jovens qualificados que o próprio país formou. Ao longo dos anos, milhares de quadros médios e superiores emigraram em busca de melhores condições profissionais e salariais. Esta realidade representa uma perda significativa de talento e de investimento público, pois a formação desses profissionais foi financiada pelos contribuintes portugueses.         A situação torna-se ainda mais complexa quando analisamos a evolução demográfica. Portugal enfrenta uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa, o que conduz ao envelhecimento da população e à diminuição da força de trabalho. Para compensar essa escassez, o país recorreu à imigração, fenómeno que pode trazer benefícios económicos e sociais, mas que exige políticas sólidas de integração e planeamento. Sem essas políticas, corremos o risco de agravar tensões sociais e de criar dificuldades adicionais no sistema educativo e no mercado de trabalho.     Contudo, é na educação que se encontra hoje um dos sinais mais claros de alerta. Nos próximos anos, prevê-se a necessidade de recrutar dezenas de milhares de professores para substituir os que se reformam. Este desafio poderá revelar-se difícil de superar, não por falta de jovens capazes, mas por falta de atratividade da profissão docente. Salários pouco competitivos, progressão lenta na carreira, excesso de burocracia e crescente complexidade do ambiente escolar têm afastado muitos candidatos do ensino.                             A profissão de professor, que deveria ser uma das mais prestigiadas da sociedade, tornou-se, para muitos, uma escolha arriscada e pouco valorizada. Quando um país deixa de atrair talento para a educação, está, na prática, a comprometer o seu próprio futuro.                                                             Por isso, a resposta a estes desafios não pode ser pontual nem improvisada. É necessário um compromisso nacional de longo prazo que coloque a educação no centro das políticas públicas. Isso implica valorizar verdadeiramente os professores, criar condições para que os jovens permaneçam no país e desenvolver estratégias eficazes para apoiar as famílias e integrar novos residentes.                                                 O futuro de Portugal não depende apenas da economia ou da tecnologia. Depende, acima de tudo, das pessoas que formamos, das oportunidades que lhes oferecemos e da importância que damos ao conhecimento.                         A educação não é apenas um setor do Estado. É o alicerce da nação.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

 **E se o 25 de Abril não tivesse acontecido?**


Perante as reflexões anteriores sobre educação, planeamento e falta de profissionais em áreas essenciais, surge inevitavelmente uma pergunta provocadora: **onde estaria Portugal hoje se não tivesse ocorrido o fim da ditadura e a Revolução do 25 de Abril?**


É muito provável que Portugal tivesse continuado, durante mais tempo, com elevados níveis de analfabetismo, atraso económico e fraca mobilidade social. O acesso à educação era limitado, as oportunidades concentravam-se em poucos e o país mantinha-se afastado das grandes transformações sociais e tecnológicas que marcaram a Europa nas últimas décadas do século XX. A liberdade de expressão, a participação política e os direitos dos trabalhadores seriam certamente mais restritos.


Importa também recordar que, mesmo sendo amplamente condenada como modelo político, a governação do Estado Novo deixou um legado frequentemente citado por muitos portugueses: a construção de uma escola em praticamente cada freguesia, um centro de saúde em cada concelho, um hospital em cada distrito e um aeroporto em várias cidades. Tudo isto foi realizado essencialmente com receitas fiscais internas, com níveis de impostos muito inferiores aos atuais e, segundo muitos relatos históricos e testemunhos da época, com rigor no cumprimento de prazos e orçamentos, sem dependência significativa de ajuda externa.


Alguns dados históricos ajudam a contextualizar esse período e a evolução posterior do país:


* Em 1970, a taxa de analfabetismo em Portugal rondava os **26%**, uma das mais elevadas da Europa Ocidental.

* A esperança média de vida era de cerca de **67 anos** em 1970; hoje ultrapassa os **81 anos**.

* Em 1960 existiam cerca de **30 mil estudantes no ensino superior**; atualmente são mais de **400 mil**.

* Quando Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia, em 1986, o rendimento por habitante era cerca de **55% da média europeia**; hoje situa-se próximo dos **75% a 80%**.


Estes números mostram que houve progressos significativos, mas também evidenciam que o desenvolvimento do país foi desigual e, muitas vezes, marcado por decisões sem visão estratégica de longo prazo.


Contudo, reconhecer os méritos da democracia não impede uma análise crítica ao caminho seguido depois dela. O país ganhou liberdade, escolaridade e melhores condições de vida, mas nem sempre soube transformar esses ganhos em planeamento estratégico e desenvolvimento equilibrado. Em muitos momentos, privilegiou-se a quantidade em detrimento da qualidade, formando-se profissionais sem uma visão clara das necessidades futuras da economia e da sociedade.


Se a ditadura tivesse continuado, talvez houvesse maior controlo centralizado e algum tipo de planeamento mais rígido, mas dificilmente teria existido a prosperidade, a modernização das infraestruturas, o acesso generalizado à saúde e à educação, ou a integração europeia que hoje conhecemos. Por outro lado, a democracia trouxe novos desafios: expectativas elevadas, decisões políticas condicionadas por ciclos eleitorais e, por vezes, falta de continuidade nas políticas públicas.


Assim, a verdadeira questão talvez não seja se o 25 de Abril deveria ou não ter acontecido — porque a liberdade e a dignidade humana não são negociáveis — mas sim **o que fizemos com essa liberdade**. O problema não foi a mudança de regime, mas a incapacidade, em certos períodos, de planear o país com visão de longo prazo e de alinhar a formação das pessoas com as necessidades reais da sociedade.


O futuro de Portugal continuará a depender menos do passado e mais da capacidade de aprender com os erros, valorizar todas as profissões e governar com responsabilidade, pensando não apenas no presente, mas nas próximas gerações.


           SUCESSOS E FRACASSOS DO 25 DE ABRIL

Depois de um período em que o país era considerado de elevado nível de analfabetismo cerca de 60% da população era analfabeta no início do Estado Novo e, no final da década de 60, essa percentagem ainda rondava os 25% uma das prioridades após o 25 de Abril foi precisamente a redução desse flagelo.

Bem ou mal, esse objetivo foi sendo alcançado. No entanto, importa questionar: será que os resultados obtidos corresponderam verdadeiramente às necessidades do país? Convenhamos que hoje temos muito mais portugueses com formação académica, mas isso não significa necessariamente que tenham sido atingidos os objetivos, ou melhor, os propósitos de responder às reais necessidades das populações.

Na área da saúde, por exemplo, o número de médicos e enfermeiros talvez tenha duplicado, e a esperança média de vida aumentou, o que naturalmente exige mais profissionais. Porém, o que aconteceu foi que formámos muitos desses técnicos que, devido à fraca valorização profissional e salarial, foram obrigados a emigrar, perdendo-se assim grande parte do investimento realizado. Nessa área, ficámos aquém das necessidades, essencialmente por falta de planeamento e de valorização adequada.

Em contrapartida, assiste-se atualmente a uma gritante falta de profissionais ligados à construção civil, como pedreiros, carpinteiros, eletricistas, pintores e serralheiros civis, entre outros. Nos últimos anos, a escassez de trabalhadores nestas áreas tornou-se por demais evidente.

Uma das situações que poderá ter contribuído para essa falha foi a ausência de planeamento estratégico na definição de prioridades, bem como a redução ou eliminação de escolas profissionais e a diminuição do rigor na avaliação individual dos estudantes. Criaram-se, assim, facilidades no acesso ao ensino superior, ao mesmo tempo que se reduziram os incentivos e a motivação para a escolha de profissões técnicas e profissionais, particularmente nas áreas ligadas à construção civil.

Basta pensar que, atualmente, por exemplo, existem advogados a receber cerca de 2.800 euros mensais, após um investimento na sua formação que pode atingir, em média, 15 mil euros anuais, enquanto ajudantes de pedreiro podem auferir cerca de 3.500 euros mensais com apenas 12 anos de escolaridade. Sem menosprezar qualquer profissão, este cenário seria impensável há alguns anos.

O grande erro do pós-25 de Abril, se assim se pode dizer, foi nunca termos conseguido consolidar uma classe política com planos consistentes para o país a médio e longo prazo. Muitas vezes, a ação política concentrou-se em governar para resultados eleitorais imediatos, e esse poderá ser, de certa forma, um dos fatores que explicam algumas fragilidades da nossa democracia.

Ainda assim, a responsabilidade não deve ser atribuída à democracia em si, mas antes à qualidade da gestão e das decisões tomadas pelos responsáveis políticos ao longo das décadas.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

 1. A Fábrica de Conformismo Produz Eleitores, Não Cidadãos

Esta é a raiz explicada no texto. O sistema educativo que privilegia a doutrinação e a obediência em detrimento do pensamento crítico não produz apenas maus governantes; produz também um eleitorado vulnerável. Um cidadão treinado para repetir slogans e aceitar "verdades oficiais" não tem as ferramentas analíticas para:
· Distinguir uma promessa populista de uma política pública viável.
· Identificar um "apparatchik" medíocre disfarçado de líder.
· Exigir accountability (prestação de contas) de forma eficaz.
O conformismo é a condição de possibilidade da ingerência. O povo vota porque foi treinado para aceitar o menu que lhe é apresentado, não para exigir mudar o menu.
2. O Voto como Moeda de Troca num Sistema Clientelar
Em Portugal, especialmente fora dos grandes centros, o voto não é sempre um ato ideológico. É frequentemente uma transação de sobrevivência. O sistema partidário de ingerência perpetua-se através do clientelismo:
· "O meu partido arranjou-me este emprego."
· "O presidente da junta resolveu-me o problema da vaga no lar."
· "Se não votar neles, posso perder o acesso a este favor."
Votar nessa gente não é uma escolha por convicção, mas uma necessidade imposta por um sistema que capturou as rédeas da economia e dos serviços locais. O voto deixa de ser um instrumento de escolha do bem comum e torna-se uma moeda de troca por benefícios privados.
3. A Ilusão da Escolha: O Bloco Central da Mediocridade
O "modelo fechado e nada meritocrático dos partidos" cria outro problema: a uniformização da oferta. As máquinas partidárias do PS e do PSD (que asseguraram a alternância no poder) são as duas faces do mesmo sistema de ingerência. Ambas filtram pelo mesmo crivo de lealdade, ambas desincentivam o mérito externo, e ambas produzem o mesmo tipo de liderança.
Quando o eleitor descontente olha para as alternativas viáveis, vê o mesmo produto com embalagens ligeiramente diferentes. A escolha resume-se muitas vezes ao "mal menor", não a uma verdadeira rutura com o sistema que produz a incompetência. Votar em alguém verdadeiramente diferente é votar num partido sem expressão, gerando a sensação de "voto inútil".
4. A "Normalização" da Mediocridade e a Morte da Esperança
O artigo descreve uma "cultura de mediocridade e conformismo". Décadas de governação desastrosa, impunidade e estagnação corroem a esperança cívica. Instala-se a perceção fatalista de que "são todos iguais" e "não vale a pena".
· A abstenção como derrota: Em vez de procurar ativamente uma alternativa de rutura, o eleitor crítico refugia-se na abstenção, deixando o campo de jogo livre para os "apparatchiks" que são votados pelas redes clientelares ou por um eleitorado acrítico.
· A espetacularização e o ruído: A política transforma-se num reality show de comentário político e polémicas estéreis. Isto anestesia o debate sobre competência e substitui a análise de currículos e de obra feita pela análise de soundbytes e de "quem ganhou o debate".
Em suma, o povo vota nessa gente porque o sistema de ingerência é um ciclo fechado. A incompetência produz um sistema educativo que gera conformismo; o conformismo aceita a mediocridade como destino; a mediocridade organiza-se em partidos que controlam o acesso ao poder e distribuem benefícios para se autoperpetuarem. Quebrar este ciclo não é apenas mudar o voto; é recuperar a capacidade coletiva de exigir excelência e de se indignar com a sua ausência.

 A INGERÊNCIA DOS INCOMPETENTES: ORIGEM E CULPA DA OCUPAÇÃO DO ESTADO PORTUGUÊS

Este artigo não tem por objetivo discutir apenas a ética na política, mas algo anterior e ainda mais estrutural: a ingerência sistemática da incompetência no exercício do poder em Portugal.
A generalizada ausência de preparação dos nossos governantes não é fruto do acaso. É o resultado de um sistema que permite, promove e normaliza a intromissão de quem não tem mérito nem capacidade na condução dos destinos da nação.
A ingerência de que aqui se fala não é a interferência externa de uma potência estrangeira. É a ocupação interna do aparelho de Estado por uma classe política que não reúne as qualificações técnicas, académicas ou éticas para gerir a res publica. E esta ingerência, que lesa o bem comum, tem duas causas principais:
1. O modelo fechado e nada meritocrático dos partidos políticos, que funcionam como veículos de ingerência, máquinas de autoproteção que afastam cidadãos capazes e preparam o terreno para a ocupação pelos leais ao aparelho.
2. A parca remuneração dos cargos eleitos, que desincentiva a participação de profissionais qualificados e com carreiras sólidas, deixando o caminho aberto para quem vê no Estado uma plataforma de subsistência ou de tráfico de influências.
Estas condições criam um ambiente propício à ingerência dos medíocres. Mas, ainda assim, não chegam para explicar a profundidade do dano causado.
O Caso Luís Montenegro: O Rosto da Ingerência Técnica
Um exemplo elucidativo é o do atual primeiro-ministro, Luís Montenegro. Licenciou-se no polo do Porto da Faculdade de Direito da UCP, instituição cujos requisitos de entrada são surpreendentemente baixos: nota mínima de 9,5 valores nos exames de ingresso e 10 valores na candidatura. Na mesma universidade, mas em Lisboa, o curso de Gestão impõe regras muito mais exigentes — nota mínima de candidatura de 14 valores. A disparidade é gritante.
Ora, quando um primeiro-ministro revela limitações evidentes de gestão, não é difícil perceber de onde vêm as suas fragilidades: um percurso académico pouco exigente e sem substância, que o torna estruturalmente incapaz de enfrentar os desafios da governação. A sua presença à frente do Executivo é, em si mesma, um ato de ingerência: a intromissão de um perfil tecnicamente frágil na esfera da decisão pública de alto impacto.
O Caso José Sócrates: A Ingerência que Captura o Estado
Se Montenegro ilustra a ingerência da mediocridade técnica, José Sócrates representa o auge da ingerência corrupta. A sua licenciatura em Engenharia Civil foi alvo de polémicas pela rapidez e pela ausência de exigência académica, levantando sérias dúvidas sobre a credibilidade do diploma. A sua ascensão política foi feita dentro do aparelho partidário, mais por conveniência e fidelidade interna do que por competência.
O resultado está à vista: um primeiro-ministro cuja gestão lesou profundamente o bem comum, deixando o país com um legado de crise económica e endividamento histórico, e que hoje se encontra envolvido em processos judiciais que expõem uma teia de corrupção e tráfico de influências. Sócrates é a demonstração de que a incompetência e a falta de ética são as duas faces da mesma ingerência: um sistema que não exige excelência académica ou profissional também não cria mecanismos para punir quem usa o Estado em benefício próprio.
O Sistema que Branqueia a Ingerência
O problema é que nem Sócrates nem Montenegro são casos isolados: são o produto de um sistema político que normaliza a ingerência dos incompetentes e tolera a corrupção como um dano colateral aceitável.
Nos partidos, a ascensão depende mais de lealdades internas do que de mérito, e o "pagar favores" vale mais do que a integridade.
O partido torna-se assim o instrumento que operacionaliza a ingerência, colocando os seus "apparatchiks" nos lugares que deveriam ser ocupados por mérito.
Nas universidades, cresce a falta de rigor, permitindo que diplomas e carreiras se construam sem verdadeira exigência, criando currículos frágeis mas politicamente úteis — o bilhete de entrada para a ocupação indevida de cargos públicos.
Nos tribunais e instituições de controlo, os processos arrastam-se, permitindo que quem viola a lei e se intromete indevidamente na gestão pública continue a exercer cargos de poder durante anos. A impunidade é o escudo que protege a ingerência.
Resultado: Portugal é governado por uma elite que se intrometeu na condução do país sem provas dadas, sem trabalho relevante, sem conquistas que legitimem a sua liderança e, demasiadas vezes, sem ética na sua conduta pública.
Da Cúpula à Base: A Fábrica de Conformismo que Alimenta a Ingerência
Mas a origem última desta ingerência não está apenas nos partidos. Está no sistema educativo que, durante décadas, privilegiou a doutrinação em detrimento da formação com competência e valores éticos sólidos.
Em vez de preparar cidadãos exigentes, críticos e tecnicamente aptos — cidadãos capazes de identificar e barrar a intromissão dos incompetentes —, o ensino tornou-se uma máquina de reprodução ideológica.
Formam-se alunos para obedecer, repetir slogans e aceitar verdades oficiais, mas não para pensar, inovar ou assumir responsabilidades éticas na vida pública.
Esta é a condição de possibilidade da ingerência: uma sociedade treinada para aceitar a mediocridade e a falta de ética como normalidade não tem as ferramentas para se defender de quem a ocupa indevidamente.
Conclusão: A Origem e a Culpa de uma Nação Ocupada por Dentro
A incompetência e a falta de ética na política não nasceram no Parlamento: nasceram nas salas de aula, nos partidos fechados e na cultura que molda o cidadão português.
A origem da ingerência que hoje asfixia Portugal está nesse mecanismo que filtra o mérito e promove a subserviência.
A culpa é o dano cumulativo causado por décadas de gestão desastrosa, endividamento, corrupção e estagnação — o preço que o bem comum paga por estar nas mãos de quem nunca deveria ter chegado ao poder.

Enquanto se valorizar mais a obediência do que a excelência, e mais a conveniência do que a integridade, Portugal continuará a produzir políticos sem substância e sem escrúpulos — e cidadãos sem ferramentas para os substituir.
O país está preso num ciclo vicioso de ingerência, mediocridade e impunidade.
Um ciclo que só poderá ser quebrado quando a sociedade, em todas as suas esferas, voltar a colocar a competência e a ética como barreiras intransponíveis à entrada no poder.
Com base na lógica do artigo e no conceito de ingerência que estabelecemos, eis as principais razões: A INGERÊNCIA DOS INCOMPETENTES: ORIGEM E CULPA DA OCUPAÇÃO DO ESTADO PORTUGUÊS
Este artigo não tem por objetivo discutir apenas a ética na política, mas algo anterior e ainda mais estrutural: a ingerência sistemática da incompetência no exercício do poder em Portugal.
A generalizada ausência de preparação dos nossos governantes não é fruto do acaso. É o resultado de um sistema que permite, promove e normaliza a intromissão de quem não tem mérito nem capacidade na condução dos destinos da nação.
A ingerência de que aqui se fala não é a interferência externa de uma potência estrangeira. É a ocupação interna do aparelho de Estado por uma classe política que não reúne as qualificações técnicas, académicas ou éticas para gerir a res publica. E esta ingerência, que lesa o bem comum, tem duas causas principais:
1. O modelo fechado e nada meritocrático dos partidos políticos, que funcionam como veículos de ingerência, máquinas de autoproteção que afastam cidadãos capazes e preparam o terreno para a ocupação pelos leais ao aparelho.
2. A parca remuneração dos cargos eleitos, que desincentiva a participação de profissionais qualificados e com carreiras sólidas, deixando o caminho aberto para quem vê no Estado uma plataforma de subsistência ou de tráfico de influências.
Estas condições criam um ambiente propício à ingerência dos medíocres. Mas, ainda assim, não chegam para explicar a profundidade do dano causado.
O Caso Luís Montenegro: O Rosto da Ingerência Técnica
Um exemplo elucidativo é o do atual primeiro-ministro, Luís Montenegro. Licenciou-se no polo do Porto da Faculdade de Direito da UCP, instituição cujos requisitos de entrada são surpreendentemente baixos: nota mínima de 9,5 valores nos exames de ingresso e 10 valores na candidatura. Na mesma universidade, mas em Lisboa, o curso de Gestão impõe regras muito mais exigentes — nota mínima de candidatura de 14 valores. A disparidade é gritante.
Ora, quando um primeiro-ministro revela limitações evidentes de gestão, não é difícil perceber de onde vêm as suas fragilidades: um percurso académico pouco exigente e sem substância, que o torna estruturalmente incapaz de enfrentar os desafios da governação. A sua presença à frente do Executivo é, em si mesma, um ato de ingerência: a intromissão de um perfil tecnicamente frágil na esfera da decisão pública de alto impacto.
O Caso José Sócrates: A Ingerência que Captura o Estado
Se Montenegro ilustra a ingerência da mediocridade técnica, José Sócrates representa o auge da ingerência corrupta. A sua licenciatura em Engenharia Civil foi alvo de polémicas pela rapidez e pela ausência de exigência académica, levantando sérias dúvidas sobre a credibilidade do diploma. A sua ascensão política foi feita dentro do aparelho partidário, mais por conveniência e fidelidade interna do que por competência.
O resultado está à vista: um primeiro-ministro cuja gestão lesou profundamente o bem comum, deixando o país com um legado de crise económica e endividamento histórico, e que hoje se encontra envolvido em processos judiciais que expõem uma teia de corrupção e tráfico de influências. Sócrates é a demonstração de que a incompetência e a falta de ética são as duas faces da mesma ingerência: um sistema que não exige excelência académica ou profissional também não cria mecanismos para punir quem usa o Estado em benefício próprio.
O Sistema que Branqueia a Ingerência
O problema é que nem Sócrates nem Montenegro são casos isolados: são o produto de um sistema político que normaliza a ingerência dos incompetentes e tolera a corrupção como um dano colateral aceitável.
Nos partidos, a ascensão depende mais de lealdades internas do que de mérito, e o "pagar favores" vale mais do que a integridade.
O partido torna-se assim o instrumento que operacionaliza a ingerência, colocando os seus "apparatchiks" nos lugares que deveriam ser ocupados por mérito.
Nas universidades, cresce a falta de rigor, permitindo que diplomas e carreiras se construam sem verdadeira exigência, criando currículos frágeis mas politicamente úteis — o bilhete de entrada para a ocupação indevida de cargos públicos.
Nos tribunais e instituições de controlo, os processos arrastam-se, permitindo que quem viola a lei e se intromete indevidamente na gestão pública continue a exercer cargos de poder durante anos. A impunidade é o escudo que protege a ingerência.
Resultado: Portugal é governado por uma elite que se intrometeu na condução do país sem provas dadas, sem trabalho relevante, sem conquistas que legitimem a sua liderança e, demasiadas vezes, sem ética na sua conduta pública.
Da Cúpula à Base: A Fábrica de Conformismo que Alimenta a Ingerência
Mas a origem última desta ingerência não está apenas nos partidos. Está no sistema educativo que, durante décadas, privilegiou a doutrinação em detrimento da formação com competência e valores éticos sólidos.
Em vez de preparar cidadãos exigentes, críticos e tecnicamente aptos — cidadãos capazes de identificar e barrar a intromissão dos incompetentes —, o ensino tornou-se uma máquina de reprodução ideológica.
Formam-se alunos para obedecer, repetir slogans e aceitar verdades oficiais, mas não para pensar, inovar ou assumir responsabilidades éticas na vida pública.
Esta é a condição de possibilidade da ingerência: uma sociedade treinada para aceitar a mediocridade e a falta de ética como normalidade não tem as ferramentas para se defender de quem a ocupa indevidamente.
Conclusão: A Origem e a Culpa de uma Nação Ocupada por Dentro
A incompetência e a falta de ética na política não nasceram no Parlamento: nasceram nas salas de aula, nos partidos fechados e na cultura que molda o cidadão português.
A origem da ingerência que hoje asfixia Portugal está nesse mecanismo que filtra o mérito e promove a subserviência.
A culpa é o dano cumulativo causado por décadas de gestão desastrosa, endividamento, corrupção e estagnação — o preço que o bem comum paga por estar nas mãos de quem nunca deveria ter chegado ao poder.
Enquanto se valorizar mais a obediência do que a excelência, e mais a conveniência do que a integridade, Portugal continuará a produzir políticos sem substância e sem escrúpulos — e cidadãos sem ferramentas para os substituir.
O país está preso num ciclo vicioso de ingerência, mediocridade e impunidade.
Um ciclo que só poderá ser quebrado quando a sociedade, em todas as suas esferas, voltar a colocar a competência e a ética como barreiras intransponíveis à entrada no poder.
Com base na lógica do artigo e no conceito de ingerência que estabelecemos, eis as principais razões:

 Uma Constituição que não evolui com o tempo arrisca-se a governar um mundo que já não existe.

A Constituição não pode ser encarada como um documento imutável. O mundo mudou profundamente desde que a mesma foi escrita não havia telemóveis, internet nem inteligência artificial e as leis devem acompanhar essa evolução.
Pessoalmente, sou a favor de uma revisão constitucional. A Constituição da República tem um cunho muito marcado pelo contexto político do pós-25 de Abril, refletindo o projeto ideológico dominante dessa época. Considero que é necessário atualizar esse enquadramento à realidade atual do país. Na minha perspetiva, deveria ser revisto, desde logo, o próprio preâmbulo, onde se afirma a intenção de «abrir caminho para uma sociedade socialista». Essa formulação pode ter sido compreensível no contexto histórico em que a Constituição foi elaborada, mas levanta hoje questões sobre a neutralidade ideológica que uma lei fundamental deve garantir numa democracia pluralista. Ao longo das décadas, os sucessivos responsáveis políticos nunca demonstraram verdadeira vontade de submeter a Constituição a um referendo popular. Muitos acreditam que isso se deve ao receio de um resultado imprevisível, num país onde uma parte significativa do eleitorado se identifica com valores mais conservadores. Entretanto, tem-se verificado um fenómeno preocupante: o progressivo afastamento dos cidadãos da vida política. A confiança nas instituições diminuiu, o crédito da classe política foi sendo desgastado e a esperança na democracia sofreu abalos sucessivos. Um dos sinais mais visíveis desse descontentamento é o aumento gradual da abstenção eleitoral ao longo dos anos. Esse afastamento não resulta de uma única causa, mas de um conjunto de fatores: a perceção de erros repetidos pelos partidos tradicionais, práticas políticas associadas a vícios de poder, influência indevida e casos de corrupção que abalaram a credibilidade do sistema. Nos últimos anos, particularmente a partir de 2019, assistiu-se ao surgimento e crescimento de partidos fora do chamado «arco da governação». Esse crescimento, nomeadamente do partido Chega, deveu-se em grande medida ao voto de protesto e ao descontentamento de cidadãos que, durante muito tempo, optaram pela abstenção e decidiram regressar às urnas para expressar a sua insatisfação. Independentemente das posições ideológicas de cada um, estes sinais devem ser interpretados como um alerta para o sistema político. Uma democracia saudável exige participação cívica, confiança nas instituições e uma Constituição que seja sentida como representativa de todos os cidadãos e não apenas de um momento histórico específico.

terça-feira, 21 de abril de 2026

 50 ANOS DE AUTONOMIA OU DE HEGEMONIA?

Ao analisar, de forma simples e sintética, a relação entre mais de meio século de democracia em Portugal e cinco décadas de autonomia regional, particularmente no caso da Região Autónoma da Madeira, somos levados a reconhecer que este constitui, em muitos aspetos, um verdadeiro caso de estudo sociopolítico: como explicar a permanência quase ininterrupta de um único partido no poder ao longo de tanto tempo?                                               As razões que conduziram a este desfecho são complexas, mas encontram explicação, em grande medida, na fragilidade inicial da cultura democrática. Durante décadas, várias gerações viveram sob um regime autoritário de cariz conservador e nacionalista. Após a transição política, o novo contexto democrático foi marcado por uma forte reação ao passado, que, embora tenha trazido avanços importantes, também gerou excessos e tensões próprias de um período de mudança profunda. Na Madeira, a implementação da democracia ocorreu num contexto social e cultural particular. A influência da Igreja, a tradição comunitária e a perceção de ameaça ideológica associada ao socialismo e ao comunismo contribuíram para moldar o comportamento eleitoral. Recordo-me, pessoalmente, de ouvir, em zonas rurais, na segunda metade da década de 1970, expressões que refletiam esse receio: "Credo, cuidado que o comunismo já chegou à cidade."             Formou-se, assim, uma relação de proximidade entre instituições religiosas e o poder político regional, que ajudou a consolidar uma narrativa de estabilidade e proteção. Ao longo dos anos, criou-se também um ambiente político onde a alternância democrática se tornou difícil, não apenas por mérito governativo, mas também pela construção de uma cultura política baseada na confiança continuada num mesmo projeto e liderança.                                                     É inegável que muito foi feito em termos de desenvolvimento regional. Infraestruturas foram construídas, serviços públicos foram alargados e a qualidade de vida melhorou de forma significativa. Contudo, importa questionar se esse progresso poderia ter sido ainda maior com uma gestão mais rigorosa, transparente, criteriosa e estrategicamente orientada.                 A autonomia regional, no seu sentido mais pleno, pressupõe capacidade de decisão própria, responsabilidade política e prestação de contas. Não se trata apenas de governar, mas de assumir integralmente os sucessos e os fracassos. Quando os êxitos são atribuídos exclusivamente ao governo regional e os insucessos sistematicamente imputados ao poder central, corre-se o risco de esvaziar o verdadeiro significado da autonomia.     Cinco décadas depois, a questão que se coloca não é apenas histórica, mas sobretudo política e democrática: terá a autonomia servido plenamente os interesses dos cidadãos ou terá contribuído, em certa medida, para a consolidação de uma hegemonia partidária difícil de contrariar?                 Esta não é uma afirmação, mas uma interrogação legítima num sistema democrático. Cabe aos cidadãos, de forma livre e informada, avaliar o percurso realizado, reconhecer os progressos alcançados e decidir, com sentido crítico, o rumo que desejam para o futuro.


Texto para enviar ao DN-Madeira para publicação.


50 ANOS DE AUTONOMIA OU DE HEGEMONIA PSD?


Analisando de forma simples e sintetizada a relação entre 52 anos de democracia em Portugal e 50 anos de autonomia das regiões, mais concretamente o caso específico da Região Autónoma da Madeira, dir-se-ia, como alguém já afirmou um dia, que seria um verdadeiro caso de estudo sociopolítico compreender a razão pela qual um único partido se eterniza no poder.                                                     As razões que levaram a que isto tivesse este desfecho devem-se, sobretudo, ao facto de que, tal como a maioria do povo português, existia uma fragilidade de cultura democrática, quase inexistente, devido a mais de uma geração ter vivido sob um regime autoritário de cariz conservador e nacionalista. Depois do golpe de Estado, a esquerda que inicialmente orquestrou a transição catalogou esse regime como fascista de extrema-direita, criando uma psicose antirregime que teve muito de positivo, mas também excessos de repressão, muitas vezes contra cidadãos inocentes. São realidades que não se podem escamotear, mas um dos propósitos de então foi anular toda e qualquer reestruturação da esquerda socialista e comunista, podendo assim classificar-se o regime do Estado Novo como essencialmente anticomunista.                                                                                                                                           Mas a razão que levou a que, na Madeira, fosse de certa forma «fácil» a implementação da democracia resultou do fator anteriormente exposto, aliado à submissão à Igreja e à estratégia política de então em continuar a diabolizar o socialismo e o comunismo. Lembro-me, na altura, estando emigrado, quando vim de visita à região em 1976, de ouvir nas zonas rurais a seguinte frase: "Credo, cuidado que o comunismo já chegou à cidade!"                                                                                                                 A conotação política criada num vínculo, de certa forma estratégico, entre a diocese e a classe política de então abriu caminho para tudo o que veio depois. Para a extrema-esquerda, tudo é feito por perceções, enquanto aquilo que a direita faz, visto na sua perspetiva, é rotulado como imposição, ditadura, fascismo, racismo e extremismo chavões utilizados para intimidar e confundir as populações. É a velha técnica: antes que te chamem, chama-lhes tu primeiro. Só que, a cada dia que passa, essa técnica cola menos.                                                                                                                             Felizmente, já muita gente começa a perceber que, afinal, aquilo que foi feito ao longo destes anos foi, em grande medida, a manipulação de mentalidades e o incutir do medo da extrema-direita. Na Madeira, a implantação do PSD como força dominante deu-se no sentido inverso: o «bicho-papão» em 1976 era o comunismo, e a salvação era o PSD, personificado no «Messias» político Alberto João Jardim. Com o apoio da Igreja e o patrocínio de D. Francisco Santana, foi relativamente fácil ao carismático e regionalista Alberto João Jardim conquistar e perpetuar-se no poder.                                                Criou-se uma dependência do Estado (técnica associada ao socialismo) e uma elite governativa (técnica associada ao liberalismo), ficando o restante por conta de quem, até aos dias de hoje, controla o poder, enquanto muitos cidadãos se sentem com um dever de gratidão por tudo aquilo que foi feito na região ao longo de 50 anos. Mas afinal, não será essa a verdadeira missão e o dever da classe política: melhorar as condições de vida dos madeirenses? Pena é que, em 50 anos, se tenha gasto tanto e financeiramente beneficiado tão poucos.                                                                                           Porque o conceito de autonomia, teoricamente, seria o de poder fazer algo com responsabilidade própria, sem precisar de alguém que decida por ti. Coisa que, na Madeira, muitos consideram não ter acontecido: os sucessos governativos são apresentados como êxitos do Governo Regional, enquanto os insucessos as culpas são atribuídas a Lisboa. E assim andamos há 50 anos com este peso nas costas do público.                                                                                                                                                         Muita coisa foi feita ai de nós se assim não fosse. Mas será que, com uma gestão mais rigorosa e criteriosa, e com um planeamento de melhor visão estratégica, se poderia ter feito ainda melhor, mesmo que fosse sob a hegemonia dos mesmos de sempre?                                                                               Fica aqui uma questão que cada um, de forma livre e democrática, retirará as suas próprias ilações. 


     50 ANOS DE AUTONOMIA OU DE HEGEMONIA PSD?

Analisando de forma simples e sintetisada a relação entre 52 anos de democracia em Portugal e 50 de autonomia das regiões, mais concretamente o caso específico da R. A. da Madeira, seria talvez como um dia  alguém já disse: seria um caso de estudo socio político a razão do porquê o iternizar no poder um único partido.

As razões que levaram a que isto viesse a ter este desfecho deve-se sobretudo a que tal como a maioria do povo português no que a fragilidade de cultura democrática essa quase enesistente devido a mais de uma geração ter sobrevivido sob um regime autoritário de caris conservador e nacionalista e que depois do golpe de estado a esquerda que orquestrou inicialmenete a transição ter cartalogado de fascista de extrema direita, criando uma psicose dum antiregime que teve muito de positivo e excessos de repressão muitas vezes contracidadãos inocentes. Realidades que não se pode escamotear mas que um dos propósito do então foi anular tosa e qualquer reestruturação da esquerda Socialista/Comunistas, podendo então classificar o regime do Estado Novo como anti-Comunista.

Mas a razão que levou a que na Madeira a de certa forma fosse »fácil» a implementação da (democracia) foi o factor anteriormente exposto, mais a submição à igreja, e a estratégia política de então em continuar a diabolizar os Socialismo/Comunismo. Lembro-me na altura estando emigrado quando vim de vista à região em 76 ouvir nas zonas rurais esta frase: credo, cuidado que o comunismo já chegou à cidade!

A Conutação política criada num vinculo de certa forma estratégico entre a diocese e a classe política de netão. abriu o caminho para tudoo o que veio depois. A extrema esquerda tudo é feito por percepções, enquanto que o que a direita faz visto na sua prespetiva é por imposições, ditadura,fascismo, racismo e extremismo, são os chavões utilizados para intimidar e confundir as populações . É a velha técnica, antes que te chamem, chama-lhes a eles, só que a cada dia que passo cola menos essa técnica. Felizmente já muita gente começa a perceber que afinal aquilo que foi feito todos estes anos, foi a manipulação de mentalidades e o incutido medo da extrema direita. Na Madeira a implantação do PSD como eterno do poder, deu-se no sentido contrário, o bicho papão em 1976 e era o comunismo e a salvação era o PSD e  convertido no (Messias) político Alberto João Jardim com o poder da igreja e o patrocínio de D. Francisco Santana foi fácil, o carismático e regionalista A. J. Jardim conquistar e perpetuar no poder. Criar uma dependencia do estado (tecica Socialista) e uma elite governativa (tecnica libberal) e o resto fica por conta de quem até os dias de hoje controla o poder onde os cidada~so acha-se com um dever de gratidão por tudo aquiloq ue foi feito na região ao longo de 50 anso. Mas afinal não seri essa  verdadeira missão e dever da classse política melhorar as condições de vida dos madeirenses. Pena é que em 50 anos se tenham gasto tanot e finaceiramente beneficiado tão poucos. 

Porque o conceirto de ter autonomia teoricamente seria o de: poder fazer algo com responsabilidade própria sem precisar de alguém que decida por ti. Coisa que na Madeira não aconteceu, os sucessos governativos são exitos do governo Regional, os insucessos são por culpa de Lisboa e assim andamos há 50 anos  com este peso nas arcas. Muita coisa foi feita e aide-de nós se assim não fosse. Mas será que com uma gestão mais rigorosa, criteriosa e um planeamento com melhor visãoe startégica poder-se-ia ter feito melhor mesmo que fosse sob a hegemonia dos mesmos de sempre? Fica aqui a questão e cada quem de forma livre e democra´tica retirará as suas ilações.

domingo, 19 de abril de 2026

O INEGÁVEL EMBUSTE DO 25 DE ABRIL

Ainda a propósito da "conversa" entre José Pacheco Pereira e André Ventura. António José Saraiva tinha sido membro do Partido Comunista Português.

“O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIA”
 (António José Saraiva, Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 1979)
 “Se alguém quisesse acusar OS PORTUGUESES de cobardes, destituídos de DIGNIDADE ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de RUFIAS, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.
 
Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a DESCOLONIZAÇÃO e a LIQUIDAÇÃO DO ANTIGO REGIME.
 
Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.
 
Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, ABANDONANDO OS PORTUGUESES E AFRICANOS que confiavam neles. FOI A MAIOR VERGONHA DE QUE HÁ MEMÓRIA DESDE ALCÁCER QUIBIR. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que O PCP, INFILTRADO NO EXÉRCITO, NÃO ESTAVA INTERESSADO NUM ACORDO NEM NUMA RETIRADA EM ORDEM, MAS NUM COLAPSO IMEDIATO QUE FIZESSE CAIR ESTA PARTE DE ÁFRICA NA ZONA SOVIÉTICA. 

O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tropas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.
 
Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.
 
Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.
 
Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.
 
Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente, as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.
 
Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou--se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pêlos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.
 
Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente.”

ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA
(Leiria, 31.12.1917 - Lisboa, 17.3.1993)
75 anos

sexta-feira, 17 de abril de 2026

        QUANDO A CORAGEM SUPLANTA O MEDO

Durante meio século, disseram-nos que estávamos a viver o melhor dos mundos. Disseram-nos que o modelo seguido seria o garante da liberdade, da prosperidade e do progresso. Disseram-nos que nunca o povo português tinha vivido uma época tão favorável.

Mas hoje, 52 anos depois do 25 de Abril, olhamos à nossa volta e perguntamos: é este o país que nos prometeram?

É este o país onde os jovens são forçados a emigrar para encontrar oportunidades?
É este o país onde quem trabalha uma vida inteira continua a ter dificuldades para viver com dignidade?
É este o país onde tantas famílias lutam, todos os dias, apenas para sobreviver?

Durante décadas, sucessivos governos apresentaram planos, projetos, estratégias e estudos. Prometeram reformas. Prometeram crescimento. Prometeram futuro.
Mas o tempo passou. E o país ficou para trás.

E por isso, hoje, temos o dever de perguntar — com frontalidade e sem medo:
o que fizeram, afinal, todos estes anos, aqueles que se apresentaram como arautos da democracia e paladinos da liberdade?

O povo português não pede milagres.
O povo português pede responsabilidade.
O povo português pede resultados.

Porque uma democracia não se mede pelas promessas que faz,
mede-se pelas oportunidades que cria,
pela justiça que garante
e pelo futuro que constrói.

Está na hora de deixar as palavras e assumir as responsabilidades.
Está na hora de colocar Portugal acima dos interesses partidários.
Está na hora de devolver esperança, confiança e ambição ao nosso país.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A RECEITA DA AUTONOMIA REGIONAL


A extrema esquerda tudo é feito por percepções, o que a direita faz visto pela escumalha é imposições, ditadura,fascismo, racismo e extremismo. É a velha técnica, antes que te chamem, chama-lhes a eles, só que a cada dia que passo cola menos essa técnica. Felizmente já muita gente começa a perceber que afinal aquilo que foi feito todos estes anos, foi a manipulação de mentalidades e o incutido medo da extrema direita. Na Madeira a implantação do PSD como eterno do poder, deu-se no sentido contrário, o bicho papão em 1976 e era o comunismo e a salvação era o PSD e o Messias Alberto João Jardim com o poder da igreja e o patrocínio de D. Francisco Santana foi fácil, o carismático e regionalista A. J. Jardim conquistar e perpetuar no poder.
Se existe uma lei ou norma institucional que define uma região como autónoma, por que razão um representante da República insiste em ser imposto? Numa lógica de verdadeira autonomia, faria mais sentido que por exemplo; o presidente eleito do Governo Regional tivesse assento à mesa do Conselho de Ministros, como parte integrante do Governo da República, sempre que fossem discutidas matérias diretamente relacionadas com a região que governa e representa. Tal solução reforçaria o respeito pela autonomia consagrada na lei, promoveria a cooperação institucional e garantiria que as decisões tomadas ao nível nacional refletissem, de forma mais fiel, a realidade e os interesses das populações da região. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

 

O Mundo Moderno: Progresso Material e Desafios Sociais em Portugal e na Região Autónoma da Madeira

O mundo actual é marcado por uma dualidade profunda: por um lado, testemunhamos avanços impressionantes na tecnologia, na medicina e na comunicação; por outro, muitas sociedades enfrentam uma crise social, cultural e emocional que desafia a nossa percepção de progresso. Em Portugal, estes desafios são particularmente visíveis e assumem contornos específicos nas regiões insulares, nomeadamente na Região Autónoma da Madeira, onde a realidade geográfica, económica e demográfica amplifica algumas fragilidades estruturais.                    Nos últimos séculos, a humanidade conquistou melhorias materiais notáveis. A medicina moderna aumentou a esperança média de vida, prevenindo e tratando doenças que outrora dizimavam populações. A tecnologia conecta milhões de pessoas instantaneamente, permitindo acesso à informação, educação e oportunidades antes inimagináveis. O desenvolvimento das infraestruturas e dos transportes transformou a circulação de bens, serviços e pessoas, contribuindo para o crescimento económico e para a redução da pobreza extrema em muitas regiões do mundo.                   No entanto, o aumento de riqueza e o acesso a recursos não se traduziram automaticamente em bem-estar social ou felicidade. Muitas sociedades, incluindo Portugal, enfrentam desigualdade persistente, dificuldades no acesso à habitação e uma crescente sensação de insegurança económica. Na Região Autónoma da Madeira, estas dificuldades manifestam-se de forma particular devido ao custo de vida elevado, à dependência económica de sectores específicos como o turismo  e à limitação territorial que pressiona o mercado habitacional e o acesso a serviços.                                                   A felicidade quotidiana das pessoas é directamente afectada por dificuldades concretas: acesso limitado a uma habitação digna, alimentação saudável, educação de qualidade e cuidados de saúde acessíveis. Quando estas condições básicas falham, torna-se difícil experimentar a sensação de segurança, estabilidade e realização necessárias para uma vida plena. Este cenário é visível tanto no território continental como nas regiões autónomas, onde a distância geográfica e a dependência logística agravam custos e desigualdades.       Em Portugal, a crise demográfica é uma realidade incontornável. Muitas famílias adiam ou desistem de ter filhos devido à precariedade laboral, aos salários insuficientes e às dificuldades habitacionais. Na Região Autónoma da Madeira, a emigração de jovens qualificados e a diminuição da natalidade criam um desequilíbrio geracional que ameaça a sustentabilidade económica e social a médio prazo. Este fenómeno coloca em risco não apenas o crescimento populacional, mas também a continuidade de tradições, valores comunitários e identidade cultural.  Simultaneamente, a população idosa cresce de forma significativa. Muitos idosos vivem sozinhos, dependentes de apoios sociais limitados, ou encontram-se institucionalizados em estruturas que, apesar do esforço dos profissionais, nem sempre conseguem proporcionar o acompanhamento humano e familiar desejável. Este desafio é particularmente sensível em comunidades insulares, onde os laços familiares sempre foram um pilar social e onde a solidão dos idosos representa uma mudança profunda na organização tradicional da sociedade. A mudança acelerada de valores sociais, especialmente nas áreas da família, da educação e da convivência comunitária, gera tensões entre gerações e dificulta a adaptação cultural. No passado, a coesão social e a proximidade entre vizinhos e familiares eram factores centrais de estabilidade emocional e felicidade colectiva. Hoje, a urbanização, a pressão económica e o ritmo acelerado da vida moderna contribuem para o enfraquecimento desses vínculos, tanto no continente como na Região Autónoma da Madeira.                                            Além disso, cresce a percepção de que decisões importantes que afectam a vida das pessoas são tomadas por estruturas políticas, económicas ou administrativas distantes da realidade quotidiana dos cidadãos. Este sentimento de afastamento institucional alimenta frustração, desconfiança e sensação de impotência, reforçando a ideia de que o progresso material  embora visível  não garante automaticamente justiça social, equilíbrio comunitário ou bem-estar emocional.                     Em síntese, o mundo moderno é simultaneamente mais desenvolvido e mais exigente, e Portugal não é excepção. A prosperidade material convive com desafios sociais, demográficos e culturais que afectam directamente a qualidade de vida das pessoas. Na Região Autónoma da Madeira, esses desafios assumem uma dimensão particular, marcada pela insularidade, pela dependência económica e pela necessidade constante de equilíbrio entre desenvolvimento e coesão social.       A grande lição do nosso tempo é clara: progresso não é sinónimo de felicidade. O verdadeiro desafio da sociedade contemporânea  em Portugal e na Região Autónoma da Madeira  é encontrar um equilíbrio sustentável entre crescimento económico, justiça social, valorização da família, cuidado com os mais vulneráveis e preservação da identidade cultural. Só assim o progresso poderá ser verdadeiramente humano, inclusivo e duradouro.