sexta-feira, 25 de agosto de 2017

                                                     Cansados da democracia!
Já se nota a azáfama do próximo acto eleitoral. Os angariadores de votos começam a marcar presença em tudo o que é sitio. Novamente virão as promessas do costume, os convites e as jantaradas, os debates, as arruadas, os abraços e os comício, para que logo a seguir tudo continue na mesma. Mas será que vale mesmo a pena, acreditar nas promessas, aceitar os jantares, assistir a debates ou comícios, mas sobre tudo valerá a pena dispensar um pouco do nosso tempo no dia a que somos chamados para eleger os nossos representantes políticos, para depois passarmos mais 4 ou 5 anos amargados? Cada vez mais a democracia está desacreditada e tudo por culpa nossa que permitimos que o maior flagelo que alguma vez se pensou que seria possível no regime que defende a liberdade, a CORRUPÇÃO. Porque ainda ninguém teve a coragem de defender um outro modelo eleitoral, a população farta de ser enganada e cada vez mais, senti-mo-nos sem qualquer poder para alterar este estado de coisas, achamos que o único modo de protesto é pura e simplesmente deixar de ir votar. A abstenção, os votos brancos e nulos já representam quase 60% do eleitorado, o descalabro a que foi conduzida propositadamente a política no nosso país, efeito que fez com que as pessoas se alheassem cada vez mais dos sucessivos actos eleitorais. Mas afinal não votar, votar nulo ou branco, quais os benefícios, os prejuízos e as consequências? Os eleitores ligados aos partidos do poder com algum benefício directo ou indirecto nunca deixam de votar, está em causa a sua subsistência na política e o tacho ou em causa o seu emprego,(meio de sobrevivência) daí não faltam. Os políticos e os financiadores dos partidos do poder também não, e incentivam e bem os seus dependentes, para que não faltem ao acto. Um que outro familiar ou amigo por questão de coerência também lá vai depositar o seu voto, afinal também representa de certa forma seus interesses, um que outro «fã» qual clube de futebol também, mas a maioria deixou de acreditar e em sinal de revolta, resolveu abandonar o seu dever, pois acham que assim mostrarão o seu descontentamento; nada mais errado. Imaginemos que num universo de 1000 pessoas só 100 votariam, mesmo assim sendo, os votantes serviriam para eleger qualquer assembleia ou candidato, dado que os outros 900 pura e simplesmente valem zero, seriam como se não existissem, não são tidos em conta. Ficariam mais 4 ou 5 anos sentados em casa, nos cafés ou na conversa de amigos a protestar que tudo continua igual, enquanto que os eleitos ocuparão novamente os cargos e continuarão a fazer tal qual como têm feito até aqui. Agora; para mudar esse cenário imaginemos que a grande maioria cumpria o seu dever, e distribuía os votos entre todos os partidos, coligações ou grupos independentes que se apresentassem numa eleição de modo que, todos tinham representatividade dos vários grupos  e ou candidatos, seria totalmente diferente sem maiorias e com uma diversidade de representantes das várias frentes na sociedade. Enquanto não houver coragem para alterar o sistema eleitoral no país, teremos que ser nós os eleitores a ter a coragem de alterar o actual panorama político, se nada fizermos e continuarmos a protestar no dia após as eleições e no local errado, há-de continuar tudo como até agora e de nada valerá a nossa revolta interior ou desabafo na esplanada do café ou na conversa entre amigos. Se alterarmos a nossa atitude  mudarmos o nosso comportamento mostrando o nosso protesto, revolta e descontentamento no boletim de voto, poderão ter a certeza de que algo mudará no panorama político em Portugal. Contra a corrupção a solução nunca passará pela abstenção, o voto será sempre a solução.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

                                      Uma aterragem forçada
Para quem como nós que vivemos numa ilha, sentimos no dia a dia uma espécie de isolamento, de distancia dos grandes centros urbanos e das dificuldades em lá chegar apesar de que nos continentes possam haver situações tão complicadas como as nossas. Apesar que em tempo ir a Lisboa era quase uma odisseia, tempos houve que tínhamos navios, o Lima, o Carvalho Araújo, o Funchal, o Angra do Heroísmo, sem falar no Infante D. Henrique ou o Principe Perfeito, antes disso o Vera Cruz e o Santa Maria que várias dias da semana iam e vinham de cá para lá e vice versa. Por exemplo: um espanhol que viva em Barcelona percorre 830 km para chegar a Sevilha, ou um em La Corunha terá de percorrer aprox. 500 Km, talvez milhares de pessoas nunca viajaram à cidade capital Madrid, no entanto, não sentirão a mesma situação de isolamento de um ilhéu que para chegar à capital Lisboa, tará de percorrer 970 Km aprox., com a infeliz certeza de que só terá uma única alternativa, o transporte aéreo.  E pior ainda quando vivemos com situações meteorológicas variáveis que condicionam o nosso único ponto de saída, o aeroporto da Madeira, agravando ainda a situação de que a nossa economia depende quase única exclusivamente do turismo, sentimos na pele quase que viver numa prisão.  Situação recentemente vivida e que deixou apreensivos residentes e visitantes, pois segundo números difundidos, quase 22 000(vinte e duas mil) pessoas ficaram condicionadas de viajar dadas as circunstâncias anteriormente citadas. Os contornos que levam a que, possíveis alternativas sejam aéreas ou marítimas sejam implementadas, deixa a população da região e aqueles que nos visitam de certa forma descrentes de uma boa vontade por parte das autoridades em apresentarem soluções práticas, rápidas, viáveis e sobre tudo eficazes, pois a economia e a industria do turismo não se compadecerão e não irão esperar para que se atribua um novo galardão ao melhor destino turístico ilhéu do mundo, porque afinal isso em nada abona e também implicará para a atribuição a semelhante distinção. Imaginemos só por um momento que por exemplo: tínhamos um transporte marítimo de qualidade com um barco a servir com regularidade a ligação à metrópole, e ou cruzeiros continuados entre Funchal, Casablanca, Canárias, Cabo Verde, Açores, e Portimão; uma alternativa ao aeroporto da Madeira, o do Porto Santo com transporte alternativo de translado ao Funchal. Os nossos vizinho de Canárias têm semanalmente dois percursos de 1300 km aprox. com serviço de ferry para a metrópole, sem contar com os vários serviços aéreos, pois a dinâmica implementada no seu destino turístico é impressionante. Dirão que não queremos ser (invadidos) por uma avalanche turística, mas estar sempre com o credo na boca para turistas e ou residentes começa a cansar. E se formos olhar aos preços praticados onde ainda esta semana alguém fazia ver um voo TAP Lisboa-Canárias por 89 € e no mesmo dia para o Funchal custava 179 € (aprox)!! Isto não será, uma sugestão, uma opinião nem sequer uma solução, apenas mais um desabafo dos tantos que se ouvem pelos cafés e em conversas de amigos e que faço eco desta opiniões que valem o que valem, mas francamente deixam-nos incrédulos porque tanta burocracia e tanto adiamento. Desculpem bater uma vez mais na mesma tecla, mas como alguém dizia; água mole em pedra dura tanto bate até que fura;Será?