Se7e anos depois
Existe um ditado que os nossos pais utilizavam quando na adolescência e ou juventude cometíamos erros; O tempo ensina! Será que aprendemos com o tempo, durante tanto tempo, ao longo do tempo e em tempo recente? Passados sete anos da catástrofe que ceifou a vida a 52 pessoas, desalojou aproximadamente 600, calcularam-se prejuízos na ordem dos 217 Milhões de Euros e que deixou um rasto de destruição e de dor, marcas que só o tempo fará minimizar mas nunca esquecer, principalmente àqueles que sofreram na pele os efeitos de tão devastadora catástrofe. Por várias vezes assolada, a Madeira tem várias experiências ao longo da sua existência de situações semelhantes, que depois de uma ou outra forma, foram colmatadas com a intervenção humana, nem sempre com as melhores soluções. Após esse tempo e passados já lá vão sete anos, ainda são muito visíveis as marcas de tamanha calamidade. Ruas por recuperar, muros de ribeiras por reconstruir, passeios por arranjar, monumentos por recuperar, enfim uma série de pequenos e médios trabalhos que nem os 1080 milhões de Euros, que o governo da república, governo regional e fundos de solidariedade disponibilizaram, e que até à data parece haverem famílias que ainda não receberam apoio ou parte dele, pois muito desse dinheiro foi utilizado para «enfeitar» a cidade, invadir o mar e betonar as ribeiras, quando dito por muitos peritos na matéria, que a solução seria cuidar do problema a montante das ribeiras e no cursos das águas,(engolidos) pela industrialização e o progresso, muitas vezes mal planeado. Uma verdade, foi feita a recuperação parcial da cidade em tempo recorde, com muita eficácia, espírito de entre ajuda, voluntariado, e aproveitamento político à mistura e com custos que ainda hoje deixam algumas dúvidas. Continuam por fazer após sete anos, intervenções para recuperação de muito daquilo que foi atingido, e até com protestos de muitas áreas da população, pela forma em que foram executadas essas obras, dada a duvidosa necessidade de tão dispendiosa parece ser. Continuamos com o risco escondido no sopé das montanhas, enquanto a cidade aos poucos vai sendo revestida de uma nova roupagem aparentemente segura mas, com muito betão que altera a paisagem, compromete a história e não salvaguarda na totalidade a segurança. Talvez dá mais nas vistas a intervenção diante dos olhos dos milhares de cidadãos que circulam diariamente pela cidade, do que se fosse feita uma intervenção na encostas das montanhas e nas margens das ribeiras, de modo que uma reflorestação bem planeada e uma manutenção continuada, passaria despercebida, pois a vestimenta conta na hora de apresentar a imagem da obra. Esperemos que para as comemorações dos 600 anos das descobertas da Madeira, estejam as soluções devidamente alcançadas, e recuperadas na totalidade, as pequenas obras que tentem apagar as marcas de uma imagem com triste recordação de um desastre que esperemos tão cedo não se volte a repetir.
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