sexta-feira, 12 de maio de 2017

                                           Sem tempo para pensar
Apesar do tempo andar meio chuvoso mesmo em plena primavera, a azáfama própria da época onde escasseia o tempo para tanta ocupação que nem de propósito. Tivemos corridas pela cidade, a festa da flor, ou ainda a temos prolongada, a cidade à nossa espera com um convite a que fiquemos por lá, mesmo que muitas vezes esteja deserta, e fora o que ainda falta para o verão que se aproxima, uma série de actividades que nos deixam sem tempo para pensar, ou meditar  e que até farão esquecer as tantas promessas eleitorais que aguardam concretização, planeamento ou simplesmente estudos de viabilidade. Mas será que faltam muitas promessas por cumprir e que foram esquecidas ou que foram canalizadas para Fátima, aproveitando a visita do Papa e a tolerância de ponto. Será este um excelente momento para fazer pedidos à Virgem, para que não permita que a mentalidade da grande maioria da população se deixe embalar pelas promessas não cumpridas, talvez à falta de fé dos pagadores das mesmas, seja a causa de tanto incumprimento, mas pior ainda é a pouca capacidade de memória que vai outra vez e saiam as mesmas promessas de sempre e voltam outra vez o nosso povo a acreditar no seu possível cumprimento. Porque a população até nem pede milagres, apenas que aquilo que se possa cumprir seja a lista a designar, mas pelo que parece quanto maior a lista, mais a população se enche de fé e lá vai outra vez o  papelinho para dentro da caixa com a cor habitual, como se de um voto de confiança num qualquer clube de futebol de que somos simpatizantes, mesmo que os resultados até nem sejam os mais desejados, mas a conclusão a que chegamos é que a desilusão aumenta, o alheamento em relação aos interesses cívicos diminuem, e cada vez mais os eleitores viram as costas ou melhor dito, ficam sentados no sofá à espera de um resultado que os interessados decidiram e os que se fartam de protestar o ano inteiro, nos restritos grupos de amigos ou em cafés, deixam a decisão nas mãos alheias, como se eles próprios não fossem a culpa da causa deste modelo se manter. Afinal qual o  interesse em protestar se na oportunidade de mudar, ficam em casa à espera das eternas promessas incumpridas e protestando sem autoridade moral se nada fazem para alterar esta situação? A abstenção será sempre o maior crime a cometer pelo eleitorado e não dá direito a qualquer tipo de protesto ou descontentamento, terá de aceitar aquilo que os outros decidiram e sem opinião contra, pois nada fizeram para que alguma coisa mudasse.
 Aproximam-se a passos largos mais um período eleitoral, para as autárquicas e convém que comecemos a despertar a consciência, para que com uma participação massiva, consciente, e de cidadania cívica, possamos participar na reconstrução de um regime democraticamente participativo, convenhamos que o comportamento de uma grande parte da classe política em nada abona à motivação para a participação, mas é nosso dever cumprir a responsabilidade de cidadãos activos e mostrar o nosso descontentamento, nem que seja distribuir o maior número de votos possíveis pelas várias forças políticas que dignamente e muito respeitosamente ainda se apresentam ao eleitorado querendo resgatar a essência da liberdade e da democracia; o voto.

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