sexta-feira, 5 de abril de 2019
cartas na mesa
Porque vem aí mais uma «comemoração» do 25 de Abril, data gloriosa da implementação de um regime democrático. Porque será que cada vez mais os portugueses se sentem desiludidos com os seus governantes? Será caso p'ra dizer: cada quem tem aquilo que merece! (eu e muitos que pensam como eu não merecemos)! Em ano de três actos eleitorais, parece que os eleitores portugueses ainda não aprenderam que após 45 anos de instaurado o designado de regime democrático, continuamos a expressar imensas dúvidas em relação ao nosso comportamento no que diz respeito a liberdades, democracias, direitos, deveres, valores e opiniões. Liberdade é ser capaz de escolher os governantes que se apresentem à escolha do povo para que defendam um direito constitucional de justiça e igualdade de oportunidades para todos. Democracia é o que simbolicamente significa poder ao povo, que consignados a esses representantes livremente escolhidos. Direitos, tudo o que consagram as leis a cada um dos cidadãos. Deveres tudo o que cada cidadão terá que aportar ao país cumprindo as leis existentes no mesmo. Infelizmente e após muito adulta a nossa flamejada democracia, deixa muito a desejar, perante tudo o que deveria realmente ser o designado menos mau dos regimes. Uma liberdade que usada abusivamente por aqueles que os interesses designam como representantes não do povo, mas de interesses que à grande maioria não lhes diz respeito. Uma democracia que, pela falta de cultura desse mesmo povo, insiste em tratar partidos políticos como se fossem clubes de futebol, ninguém quer votar nos mais pequenos para no dia seguinte não sentir na consciência o amargo da derrota, mas no entretanto continuam a votar nos que ao longo destes 45 anos continuam a iludir os cidadãos num mar imenso de promessas, para no dia seguinte estupidamente comemorar vitórias, e depois estarem 4 anos sentados no sofá ou no café a protestar a sua ingénua escolha. Quando os direitos na sua maioria são condicionados, e os deveres só são aplicados aos que não têm o poder ou a proteção da justiça, que comparte paredes meias com um modelo de uma democracia que em nada permite ao povo sentir que exerce esse poder, pelo contrário, cada vez mais sente o medo da represália e da intimidação, a impunidade premeia os que usam e abusam desse mesmo poder que ingenuamente a cada acto eleitoral somos convidados a atribuir aos fazedores de promessas, pois a ingenuidade é de tal magnitude que mais parece uma deficiência genética com cumplicidade de doença mental, pois tanto tempo a cometer o mesmo erro já deixa muito a pensar este povo só tem aquilo que realmente merece. Vem aí mais três novas oportunidades para que a vontade do povo se manifeste no voto, depois não deitem as culpas a ninguém, aliás esse também é outro dos maus hábitos dos portugueses, cometer o erro inúmeras vezes e depois as culpas são sempre dos outros. Quando já alguns corajosos, em vários sectores e pondo em causa a sua idoneidade e integridade, levantaram o véu da promiscuidade a que os políticos conduziram o país, não sejamos nós os cidadãos a baralhar e dar de novo o aval e a sermos cúmplices do sistema com àqueles que infestaram a governação do país com o maior flagelo da nação; a corrupção.
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