Cartas de antigamente
Funchal, 03 de Julho de 2020 caro amigo, é com muita pena minha que vos escrevo esta simples letras, visto que à muito não nos podemos encontra, o COVID 19 impediu-nos de nos visitarmos, parece que vivemos tão distantes e é apenas uns passos, mas como não posso sair de casa dada a minha incapacidade de mobilidade, e a tua frágil saúde não nos podemos encontrar como o fazia-mos antes e com grande regularidade, deixamos de jogar as nossas biscadas, e tomar um caneco juntamente com os amigos do costume, e as nossas conversas deixaram de ter conexão pois perdi-me no tempo, só oiço que todos os dias dizerem que os políticos do nosso país tem algo para roubar, que a gasolina aumenta e o petróleo baixa, que há mais de (1) milhão de desempregados, gente à fome e miséria, que afinal sempre é verdade que a lei do aborto vigora, e que pretendem implementar a eutanásia, mas que não há dinheiro para tratar da saúde, que estão mais de 100 mil consultas e mais de 50 mil cirurgias em listas de espera, e que no entanto estão a cimentar o fundo das ribeiras para que as águas ganhem mais velocidade e cheguem mais rápido ao mar para não fazerem perca pelo caminho. Que em vez dos bancos pagar juros, nós é que emprestamos-lhes o dinheiro para que os pequenos empresários por sua vez, irem pedir emprestados e pagar juros, enquanto o outro o tal Salgado limpou um balúrdio e a justiça ainda lhe pôs um polícia à porta para lhe vigiar a casa. Também soube que os coitados dos jogadores de futebol estavam preocupados, bem pela paragem da actividade assim como iriam ficar pobres por falta de salários. Que a TAP depois de privatizada volta a ser nacionalizada, e que aquilo que nós pagaremos não nos dará direito a viajar de borla, no entanto tem chegado muitos refugiados que recebem vencimento, comida e direito a casa e mesmo que não sabem falar português, até podem ter direito à cidadania. Ainda outra coisa, logo que poderes responde à carta pois não sei se vou conseguir ler pois estou à 2 anos à espera para ser operado ás cataratas, e a mulher anda cambada pois estava para operar os joelhos mas entretanto o raio da pandemia atrasou isto tudo. Dei 2 € ao Damasceno para te levar a carta e trazer a resposta, sabes, aquele triste que ficou entramelado duma mão no trabalho e entretanto o coitado não pode fazer a fisioterapia e vive de esmola. Desculpa afinal tudo aquilo que aqui escrevo por ser tão desastroso julgo até que andei foi a sonhar ou não estou bem da cabeça ou possa estar a ouvir mal as notícias. Espero que esta praga não te tenha impedido de fazer os tratamentos. Olha! só agora é que consegui terminar e infelizmente soube que o teu funeral tinha sido a semana passada, não tive coragem de rasgar a carta, aproveitei e enviei-a com as condolências à tua mulher, já que o Damasceno lamentou que foi impedido de ir ao teu funeral. Penso até que já estou a caminho de ir ao teu encontro. Até breve amigo será que nos encontraremos no céu, pois aqui neste inferno está insuportável.
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