O despoletar duma nova realidade
O ultimo ato eleitoral calou-me definitivamente. Quando muitas vezes fui crítico acérrimo da falta de cultura democrática do povo português, eis que esse mesmo povo acabou por dar-me uma lição de democracia. Eu achar que os portugueses tinham virado as costas á democracia e até tinha de certa forma esquecido a liberdade, eis que surge um novo despertar. Aquele que (habitualmente) tinha-se convertido no maior partido; "a abstenção" foi reduzida substancialmente em 8.42% equiparando-se à de 1995, não deixando contudo de continuar a ser o mais relevante universo do eleitorado, enquanto que votos brancos e nulos tiveram um ligeiro aumento. Mas onde mais se evidenciou a maturidade dos eleitores foi no que diz respeito concretamente à sua escolha. Enquanto que nas legislativas de à 2 anos em 2022, o PS de António Costa obteve 2.301.887 votos e elegeu 120 deputados, o PSD de Rui Rio , 1.539.189 votos + 50.634 de PSD/CDS-PP+ (Madeira) 28.520 de PSD/CDS-PP/PPM (Açores), e o CDS-PP 89.113 votos, o que faz um total de 1.707.456 votos e elegeu 77 deputado, nestas recentes eleições a AD com o PSD+CDS-PP+PPM de Luis Montenegro obtiveram 1.814.021 votos e 52.992 votos do PSD+CDS-PP=(Madeira Primeiro), enquanto que o PS de Pedro Nuno Santos obteve 1.812.469 votos. Contas feitas o eleitorado castigou o PS, penalizou a AD e os abstencionistas que voltaram a acreditar ser possível uma nova forma de democracia depositaram a sua confiança nos que a maioria da comunicação social diabolizou de estrema direita e no que afinal veio a converter-se naquilo que os eleitores interpretaram de extrema necessidade para equilibrar a democracia e voltar a acreditar que existe uma nova forma de fazer política, sem dogmas e sem ideologias marcantes apenas não respeita doutrinas política, posicionando-se tão só do lado de quem trabalha e não é valorizado, de quem trabalhou e é humilhado, de quem sonha com um futuro e é desprezado, de quem quer ser livre e é doutrinado. Erradicar o Socialismo e devolver a democracia aos cidadãos, acabar com a corrupção, o compadrio, o oportunismo e a arrogância e a prepotência daqueles que se acham senhores da liberdade e donos da democracia, esta é a filosofia política que cativou 1.169.836 portugueses. Fica agora a questão a muitos que duvidavam? será que existem em Portugal um número tão grande de fascistas, racistas, xenófobos, ou será que continuam a existir 3.679.432 de oportunistas, vigaristas ou corruptos dum eleitorado que castigou a extrema esquerda e que só pelo facto de terem votado nos partidos que até aqui governaram este país? Um partido que atraiu eleitorado de diversos setores, pobres e ricos, atraiu classe média, emigrantes e imigrantes, atraiu população do norte e do sul varrendo com o Socialismo/ Comunismo do Alentejo e Algarve, que atraiu leitores da esquerda e da direita, que mostrou em boa parte que o facto de existir abstenção seria porque até aqui não se reviam nos partidos do sistema e não acreditavam nos que até aqui se apresentaram como a solução e a alternativa. E até uma situação um tanto ou quanto caricata nesta nossa já bem adulta democracia: pela primeira vez o segundo máximo órgão representante da democracia e que não por acaso até nem é eleito pelos povo, foi derrotado através do voto dos emigrantes, Augusto Santos Silva que tanto humilhou e ostracizou os 12 deputados esses então eleitos democraticamente, foi corrido da Assembleia da República da forma mais democrática que alguma vez o povo português se soube expressar. É caso para dizer que: esta nova realidade possa servir para que se reconheça a maturidade do povo português nesta nova realidade que o futuro da democracia reserva. Parece que reeditada a máxima do 25 de Abril «O povo é quem mais ordena» na Madeira parece que haverá mais do mesmo, mas se a eterna classe política souber interpretar esta manifestação do eleitorado, terá aqui uma forma mais explícita de perceber após 50 anos de democracia que chega a hora de reconstruir Portugal.
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