E pensar que o efeito democracia num povo sem cultura democrática só serviu para dividir e cada vez mais Portugal precisa de unidade.
Em Portugal, a democracia formal chegou antes de uma cultura democrática sólida estar plenamente enraizada. Isso cria um paradoxo:
temos liberdade de expressão e escolha, mas faltam hábitos coletivos de diálogo, compromisso e responsabilidade cívica.
Portugal não precisa de pensar “todos igual”, mas precisa de:
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valores comuns mínimos (dignidade, justiça, verdade, bem comum);
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instituições respeitadas mesmo quando discordamos;
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debate firme, mas não destrutivo;
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consciência de que o adversário político não é um inimigo.
A unidade nacional nasce quando há:
confiança mútua + sentido de destino comum
Sem isso, a democracia vira apenas um mecanismo de contagem, não um projeto coletivo.
A classe política em Portugal não se destaca pelo melhor que faz, parece querer destacar quem conseguiu fazer pior para justificar as suas pretensões.
Em Portugal, grande parte da perceção pública é que a classe política não se afirma pela excelência, mas por comparação negativa: O homem que corajosamente denuncia aquilo que o povo em silencio se apercebe, passou a ser a voz desse silêncio não cria a verdade, ele articula o que já existe, mas que estava disperso, contido pelo medo, pelo cansaço ou pela descrença.. A classe política em Portugal não se destaca pelo melhor que faz, parece querer destacar quem conseguiu fazer pior para justificar as suas pretensões.
Em Portugal, A liberdade tem sido tão maltratada pelos políticos em democracia que há muita gente deste país com saudades de Salazar. Quando parte da população diz ter “saudades de António de Oliveira Salazar”, na maioria das vezes não está a pedir uma ditadura — está a rejeitar a degradação da democracia atual.
Em Portugal, em teoria jurídica, as minorias estão protegidas pela lei e pela (justiça) quando alguém denuncia o incumprimento da lei, independentemente de quem denuncia. Mas na prática, essa proteção nem sempre é sentida como efetiva, e é que surge a tenção nas diferentes opiniões. Porque nem sempre o debate público distingue bem: Denuncia como um ato ilegal de atacar o grupo pelo que ele realmente é, quando a distinção se perde, a justiça pode ser pressionada pelo clima mediático, ou a denúncia legítima pode ser rotulada de discriminação. Quando existe um partido que é tão contestado pelo sistema, quando o seu líder é tão perseguido pelos seus adversários e condenado pelos seus opositores ao denunciar muitas das verdades até então ocultas, os eleitores começam a sentir talvez a dúvida se não será essa a forma de fazer calar o seu silêncio, de silenciar a sua voz e de abafar a sua indignação e revolta contra um sistema de podridão política. O povo está farto de ser enganado e dificilmente irão impedir que a mudança aconteça, mesmo aqueles que se apresentam como alternativa mas que contestam quem grita pelo povo esquecido. Não há volta a dar, no próximo ato eleitoral os portugueses terão de fazer alguma coisa para alterar este estado de degradação a que a política deste país chegou. André Ventura poderá não ser a solução, mas o país atingiu uma situação de calamidade institucional e os portugueses vão tentar alterar este estado de coisas. Dificilmente serão os que durante 51 anos de democracia trarão a solução para os calamitosos problemas deste país. Convenhamos que nem todos estarão de acordo mas para muitos esta poderá ser a derradeira oportunidade para devolver a democracia aos cidadãos.
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