sexta-feira, 15 de maio de 2026

 Pedro Passos Coelho e a eventual aproximação ao CHEGA 

Esta situação levanta uma questão inevitável: será que, no fundo, sempre existiu a intenção de criar um entendimento à direita para afastar definitivamente o Partido Socialista do poder?                           Contudo, esse cenário só seria possível se o CHEGA abdicasse daquilo que tem sido a sua principal bandeira política: o combate firme e determinado contra a corrupção e contra os vícios instalados no sistema político português. E aí reside a grande contradição.                                                                   Pedro Passos Coelho faz parte do sistema que governou Portugal nas últimas décadas. Foi o rosto da aplicação das medidas impostas pela TROIKA para corrigir o descalabro financeiro deixado pelos governos de José Sócrates e companhia. Mas esse rigor teve custos brutais para milhões de trabalhadores, pensionistas e empresários portugueses. Enquanto muitos portugueses sacrificavam salários, empregos e empresas, assistíamos ao salvamento de bancos dirigidos por administradores que, em muitos casos, lesaram gravemente o país sem consequências proporcionais.                                                                 Casos como o da Tecnoforma, entre outros episódios que envolveram figuras do PSD, deixam no ar suspeitas e alimentam a perceção de que os grandes partidos protegem os seus. O PSD, tal como o PS, carrega “rabos de palha” e pouca vontade existe para expor até ao fim as redes de influência e favorecimento que se instalaram ao longo de décadas. A justiça tarda, hesita e muitas vezes parece incapaz de tocar nos verdadeiros centros de poder.                                                                                             Portugal vive há demasiado tempo preso a um sistema dominado pelos mesmos partidos: PS, PSD, CDS, mas também sustentado ideologicamente por BE e PCP, que contribuíram direta ou indiretamente para o estado a que o país chegou. São décadas de compadrio, corrupção, clientelismo e falta de visão estratégica que deixaram Portugal atrasado, dependente e sem esperança para muitos jovens.                                           O país precisa de coragem política verdadeira. Precisa de pessoas dispostas a enfrentar interesses instalados, a romper com décadas de corrupção e a devolver dignidade às instituições. Muitos portugueses sentem que chegou o momento de “enDIREITAr” Portuga não apenas no sentido ideológico, mas sobretudo moral, económico e institucional.                                                                                                     A grande questão é esta: conseguirá algum partido fazê-lo sem se deixar contaminar pelo próprio sistema que diz combater? 

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