600 anos depois
Ainda muito fresco na nossa memória e nas nossas emoções, todo uma serie de situações que ao longo dos últimos dias têm acontecido no nosso país e principalmente na nossa terra. Montanhas de críticas, mares de desesperados, vales de lágrimas, por uma situação que com frequência nos assola; as catástrofes. A nossa orografia, a nossa posição geográfica, a nossa cultura, a forma de vida que ao longo de seis séculos, sim, por preparamos-nos a passos largos, para comemorar os 600 anos da descoberta da nossa ilha, apesar de ainda não se ouvir qualquer manifesto sobre programas comemorativos de um evento que por si só mereceria todas as atenções, não fosse a Madeira um dos primeiros territórios a serem descobertos por europeus, e pela saga conquistadora dos nossos antepassados heróis marinheiros. Reza a história que à altura das descobertas e pelo facto da densidade florestal que cobria a então nova terra achada pelos navegadores daí o nome de Ilha da Madeira, conta-se que para poderem penetrar no seu interior, tiveram que optar por atear fogo na mata e que só seis anos depois voltaram com o plano para a colonização.Mau presságio para iniciar a colonização de um território que durante estes seis séculos teve designações esplendorosas, ilha verde, das flores, paraíso do Atlântico, enfim até muito recentemente achava-se em designar que isto era um cantinho do céu. Eis que por razões várias de todos conhecida um homem perturbado mentalmente, ou sob efeitos de substancias nocivas à sua mente, resolve atear fogo que atingiu uma dimensão nunca antes imaginável, tornando aos habitantes da cidade do Funchal a sensação de estar muito perto do inferno.
Todos os esforços e todos os meios disponíveis, tornavam-se incapazes de dominar uma situação que naquelas angustiantes horas se vivia. O vento nosso maior inimigo, a temperatura elevada sua aliada, e as condições da floresta tinham disponíveis os elementos para a combustão mais catastrófica de que a cidade tem memória. Felizmente passados este dias, já controlada e dominada na totalidade a situação, começa-se a fazer contas à vida. Dar apoio e realojamento aos danificados, recuperar bens perdidos, repor a calma necessária, tudo está sendo feito pelas entidades responsáveis. Agora será necessário repensar muita coisa para evitar que volte a acontecer semelhante barbaridade. Isto foi: primeiro um atentado com terrorista da própria terra, por tanto medidas para que não voltem a actuar.
As condições climatéricas devida à má utilização dos meios que dispomos e que mundialmente é designado por aquecimento global e alterações climáticas, a preservação do planeta é um objectivo de cada um de nós e daí a responsabilidade pelo sucedido é de todos. Meios adequados de combate a fogos florestais, devido às dificuldades de acessibilidade nas encostas por causa da orografia da ilha justificam os meios aéreos? os entendidos da matéria que debatam seriamente com quem de direito, governantes, geólogos, biólogos, arquitectos paisagísticos enfim, todos os que de uma maneira ou outra tenham conhecimento na matéria. A necessidade e obrigatoriedade na limpeza das florestas e terrenos baldios. A construção de moradias distanciadas num perímetro de segurança em relação à floresta. Preservação de recursos hídricos; as águas que ao longo do inverno desagua no mar em desperdício, deveriam ser guardadas ao longo dos seus percurso, para serem utilizadas; primeiro na reflorestação, e depois se necessário no combate aos fogos. Será que com a criação de pequenas represas ao longo do seu curso resolveria essa situação? apenas a opinião de um leigo nessa matéria. Uma coisa eu acho, que em 600 anos ainda não aprendemos a preservar a nossa ilha, o criar condições preventivas, a consciência cívica de modo a evitar que tenhamos que voltar ao princípio sem ter aprendido com os erros ao longo de seis séculos. As nossas característica geográficas continuam intactas, os meios para as preservar terão de ser discutidos. Uma palavra de reconforto a todos os danificados esperando que o seu sofrimento sirva de reflexão para que as medidas preventivas sejam rapidamente postas em prática.
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