quarta-feira, 5 de abril de 2017

                                  Ao passar dos anos
Já lá vão vários anos em que o nosso país vive debaixo de um regime designado de democrático, mais concretamente 43 anos após a denominada revolução dos cravos que para a altura surpreendeu e até foi exemplo  ao mundo, quando um grupo de militares apoiados por um grande numero de populares ponha fim a 38 anos de regime designado ditatorial, e pelo qual muitos conterrâneos nosso suspiravam um dia poder livrarem-se de tão má memória e conquistar a liberdade tão ansiada. Muita coisa mudou desde então, mas apesar das muitas conquistas, uma coisa não foi conseguida; transformar a mentalidade da grande maioria da população, convertendo-a em cidadãos democratas e utilizadores de uma liberdade consagrada na constituição da republica que entretanto foi sendo (sequestrada) por uma minoria que valendo-se dessa liberdade, apoderaram-se dela e criaram um povo cada vez mais alheio a tudo o que diz respeito a uma verdadeira democracia participativa. Ano após anos e sob um constante mar de promessas, fomos sendo anestesiados e conduzidos aos poucos a acreditar que o que viria a seguir seria melhor que o anterior e governos das diferentes organizações partidárias, que durante esta já adulta democracia, foram cada vez mais sufocando uma população que muito submissa, quase ingénua, se deixou-se adormecer à sombra de promessas, que viriam a converter-se em pesadelos desvanecendo sonhos da maioria do povo que num esforço titânico e muita apreensão, continua a suportar os devaneios de quem continua a prometer o céu, mas cada vez mais nos aproximamos de um autentico inferno, onde até Satanás parece ter fugido para não suportar semelhante humilhação. Um país onde a justiça perece estar de mãos dadas com a corrupção e o povo sem meios para combater tamanho monstro, vai carregando com tudo aquilo que é quase uma via sacra à sua condenação. Os radicais por essa Europa, ameaçam e ganham simpatizantes muita às custas deste descontrolado método aplicado à gestão dos dinheiros públicos, mas que cada vez mais vai bater às contas de uma lista interminável de nomes, todos eles os que a impressa de forma um tanto ou quanto novelesca e humorística vai anunciando. Definitivamente parece que não há volta a dar e temos de pagar contas que em parte nada tivemos a ver com elas, mas que nos foram incutidas de uma forma tão genial que até parece que é a maneira mais simpática de adular os gestores políticos, fazendo-lhes uma vénia e aceitando de bom grado tudo aquilo que nos impingiram durante estas mais de quatro décadas, numa democracia tão adulta, mas que a população continua tão infantil que até resigna-se a que nunca terá a oportunidade de se tornar adulta. Já começam nos bastidores as máquinas a olearem para mais uma corrida eleitoral às eleições autárquicas, oxalá e o povo desperte de um sonho como se tivesse sido anestesiado para uma intervenção cirúrgica que deveria principalmente ter sido feita de início ao nosso cérebro, e já seria-mos povo, cidadãos , democratas adultos  a agir por nossa própria iniciativa e não na cegueira de promessas incumpridas, que nos fazem duvidar da democracia.

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