Chegaram os venezuelanos
Anos 60, após alguns anos de emigração, lembro-me de regressarem à Madeira os primeiros madeirenses que com o sonho do «El dourado» foram ao país da América do sul, e no anseio de mostrar aos seus familiares e amigos a maior facilidade com que se ganhava algum dinheiro, pois o seu país limitou-lhes, com a agravante situação da guerra colonial que ceifava vidas e obrigou muitos pais a mandarem seus filhos p'ra fora , pois o conflito da Índia e mais tarde Guine, Angola e Moçambique com as primeiras baixas, faziam temer o pior, daí a grande vaga de emigração após uma primeira fase do Curaçau, Brasil, África do Sul. Era vê-los chegar com as (banheiras) porta vilões, (carros americanos de 8 cilindros),muitos (venezuelanos) vinham casar depois de enviarem carta de chamada para as futuras mulheres, alguns faziam-no por procuração, e formaram uma comunidade que atingiu após quatro décadas quase meio milhão de portugueses, na sua maioria madeirenses.
Anos 70 e oitenta, o boom dos emigrantes abastados, que investiam em propriedades, casas, terrenos e espaços comerciais, trouxeram milhões de contos, talvez depois dos fundos UE (que trouxeram mão de obra de países de leste), a maior remessa de divisas que o país recebeu, fruto de décadas de trabalho incansável, sacrifício e até porque não dizê-lo algum exagero na exuberância do seu regresso à terra que os viu nascer. Tudo isto valeu um progresso e grandes investimentos sobre tudo na área da construção onde a cidade e até muitas zonas rurais, sofreram um transformação algo nunca vista. Vinham aos milhares, traziam os bolsos com muito dinheiro e até um pouco de exagero no consumismo, fruto da alegria em quererem mostrar que afinal também eram capazes de ser melhores se a oportunidade lhes fosse concedida, aquilo que num país estrangeiro lhes permitiu. E foi pena realmente ter de (enviar) para fora a grande força de trabalho que bem poderia ter servido para desenvolver na altura o nosso próprio país. Mas com o anseio de querer regressar à sua terra, os investimentos foram crescendo e até incentivados pelo grande movimento de divisas que se tornaram alvo do assedio da banca, e cujos resultados agora nos lamentamos todos, pois são às centenas os que foram pura e simplesmente enganados por trafulhas que aproveitando-se da confiança depositada, arruinaram décadas de esforço poupadas com muito suor e à custa da própria vida. Agora que só a vida lhes restas, pois até a alguns deles infelizmente lhes foi tirada, dada a magnitude da desgraça e o drama que se instalou no país de Simon Bolivar, que muitos deles e agora seus filhos e até seus netos, fogem à perseguição de um ditador que achou por bem sacrificar vidas à custa de um capricho e de uma filosofia política que em nada contribui para a paz e segurança do povo venezuelano e de todos os que com eles dividiam uma pátria que os acolheu, lhes deu um vida recheada de abundância, mas que por causa da insegurança, fez com que tivessem que se refugiar na terra que viu seus pais e seus avós nascer,e que agora também por se sentirem seguros cá, querem chamá-la de sua. A Europa analisa estatísticas e dada a baixa natalidade, acha que o repovoamento terá de ser feito para manter o índice populacional, mesmo à custa de refugiados muçulmanos ou outras raças. Porque não aceitar-mos de bom grado e de braços abertos, o regresso daqueles que nos são próximos, que conhecem bem nosso hábitos e costumes, dispostos a contribuir com trabalho, e ajudá-los no drama a se integrarem numa sociedade bem portuguesa.
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