sexta-feira, 11 de agosto de 2017

                                      Uma aterragem forçada
Para quem como nós que vivemos numa ilha, sentimos no dia a dia uma espécie de isolamento, de distancia dos grandes centros urbanos e das dificuldades em lá chegar apesar de que nos continentes possam haver situações tão complicadas como as nossas. Apesar que em tempo ir a Lisboa era quase uma odisseia, tempos houve que tínhamos navios, o Lima, o Carvalho Araújo, o Funchal, o Angra do Heroísmo, sem falar no Infante D. Henrique ou o Principe Perfeito, antes disso o Vera Cruz e o Santa Maria que várias dias da semana iam e vinham de cá para lá e vice versa. Por exemplo: um espanhol que viva em Barcelona percorre 830 km para chegar a Sevilha, ou um em La Corunha terá de percorrer aprox. 500 Km, talvez milhares de pessoas nunca viajaram à cidade capital Madrid, no entanto, não sentirão a mesma situação de isolamento de um ilhéu que para chegar à capital Lisboa, tará de percorrer 970 Km aprox., com a infeliz certeza de que só terá uma única alternativa, o transporte aéreo.  E pior ainda quando vivemos com situações meteorológicas variáveis que condicionam o nosso único ponto de saída, o aeroporto da Madeira, agravando ainda a situação de que a nossa economia depende quase única exclusivamente do turismo, sentimos na pele quase que viver numa prisão.  Situação recentemente vivida e que deixou apreensivos residentes e visitantes, pois segundo números difundidos, quase 22 000(vinte e duas mil) pessoas ficaram condicionadas de viajar dadas as circunstâncias anteriormente citadas. Os contornos que levam a que, possíveis alternativas sejam aéreas ou marítimas sejam implementadas, deixa a população da região e aqueles que nos visitam de certa forma descrentes de uma boa vontade por parte das autoridades em apresentarem soluções práticas, rápidas, viáveis e sobre tudo eficazes, pois a economia e a industria do turismo não se compadecerão e não irão esperar para que se atribua um novo galardão ao melhor destino turístico ilhéu do mundo, porque afinal isso em nada abona e também implicará para a atribuição a semelhante distinção. Imaginemos só por um momento que por exemplo: tínhamos um transporte marítimo de qualidade com um barco a servir com regularidade a ligação à metrópole, e ou cruzeiros continuados entre Funchal, Casablanca, Canárias, Cabo Verde, Açores, e Portimão; uma alternativa ao aeroporto da Madeira, o do Porto Santo com transporte alternativo de translado ao Funchal. Os nossos vizinho de Canárias têm semanalmente dois percursos de 1300 km aprox. com serviço de ferry para a metrópole, sem contar com os vários serviços aéreos, pois a dinâmica implementada no seu destino turístico é impressionante. Dirão que não queremos ser (invadidos) por uma avalanche turística, mas estar sempre com o credo na boca para turistas e ou residentes começa a cansar. E se formos olhar aos preços praticados onde ainda esta semana alguém fazia ver um voo TAP Lisboa-Canárias por 89 € e no mesmo dia para o Funchal custava 179 € (aprox)!! Isto não será, uma sugestão, uma opinião nem sequer uma solução, apenas mais um desabafo dos tantos que se ouvem pelos cafés e em conversas de amigos e que faço eco desta opiniões que valem o que valem, mas francamente deixam-nos incrédulos porque tanta burocracia e tanto adiamento. Desculpem bater uma vez mais na mesma tecla, mas como alguém dizia; água mole em pedra dura tanto bate até que fura;Será?

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