Cansados da democracia!
Já se nota a azáfama do próximo acto eleitoral. Os angariadores de votos começam a marcar presença em tudo o que é sitio. Novamente virão as promessas do costume, os convites e as jantaradas, os debates, as arruadas, os abraços e os comício, para que logo a seguir tudo continue na mesma. Mas será que vale mesmo a pena, acreditar nas promessas, aceitar os jantares, assistir a debates ou comícios, mas sobre tudo valerá a pena dispensar um pouco do nosso tempo no dia a que somos chamados para eleger os nossos representantes políticos, para depois passarmos mais 4 ou 5 anos amargados? Cada vez mais a democracia está desacreditada e tudo por culpa nossa que permitimos que o maior flagelo que alguma vez se pensou que seria possível no regime que defende a liberdade, a CORRUPÇÃO. Porque ainda ninguém teve a coragem de defender um outro modelo eleitoral, a população farta de ser enganada e cada vez mais, senti-mo-nos sem qualquer poder para alterar este estado de coisas, achamos que o único modo de protesto é pura e simplesmente deixar de ir votar. A abstenção, os votos brancos e nulos já representam quase 60% do eleitorado, o descalabro a que foi conduzida propositadamente a política no nosso país, efeito que fez com que as pessoas se alheassem cada vez mais dos sucessivos actos eleitorais. Mas afinal não votar, votar nulo ou branco, quais os benefícios, os prejuízos e as consequências? Os eleitores ligados aos partidos do poder com algum benefício directo ou indirecto nunca deixam de votar, está em causa a sua subsistência na política e o tacho ou em causa o seu emprego,(meio de sobrevivência) daí não faltam. Os políticos e os financiadores dos partidos do poder também não, e incentivam e bem os seus dependentes, para que não faltem ao acto. Um que outro familiar ou amigo por questão de coerência também lá vai depositar o seu voto, afinal também representa de certa forma seus interesses, um que outro «fã» qual clube de futebol também, mas a maioria deixou de acreditar e em sinal de revolta, resolveu abandonar o seu dever, pois acham que assim mostrarão o seu descontentamento; nada mais errado. Imaginemos que num universo de 1000 pessoas só 100 votariam, mesmo assim sendo, os votantes serviriam para eleger qualquer assembleia ou candidato, dado que os outros 900 pura e simplesmente valem zero, seriam como se não existissem, não são tidos em conta. Ficariam mais 4 ou 5 anos sentados em casa, nos cafés ou na conversa de amigos a protestar que tudo continua igual, enquanto que os eleitos ocuparão novamente os cargos e continuarão a fazer tal qual como têm feito até aqui. Agora; para mudar esse cenário imaginemos que a grande maioria cumpria o seu dever, e distribuía os votos entre todos os partidos, coligações ou grupos independentes que se apresentassem numa eleição de modo que, todos tinham representatividade dos vários grupos e ou candidatos, seria totalmente diferente sem maiorias e com uma diversidade de representantes das várias frentes na sociedade. Enquanto não houver coragem para alterar o sistema eleitoral no país, teremos que ser nós os eleitores a ter a coragem de alterar o actual panorama político, se nada fizermos e continuarmos a protestar no dia após as eleições e no local errado, há-de continuar tudo como até agora e de nada valerá a nossa revolta interior ou desabafo na esplanada do café ou na conversa entre amigos. Se alterarmos a nossa atitude mudarmos o nosso comportamento mostrando o nosso protesto, revolta e descontentamento no boletim de voto, poderão ter a certeza de que algo mudará no panorama político em Portugal. Contra a corrupção a solução nunca passará pela abstenção, o voto será sempre a solução.
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