quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 

O regime contra Ventura

Portugal deixou de ter um debate político normal. O que existe é a defesa cerrada de um regime instalado, que reage em bloco contra qualquer força que o questione. É por isso que André Ventura não é tratado como adversário político, mas como ameaça existencial: não por pôr em causa a democracia, mas por expor os alicerces de um sistema baseado no conformismo, na dependência e no silêncio.

Portugal não radicalizou à direita; deslocou-se tanto para a esquerda que passou a apresentar como “extremismo” a defesa de regras, autoridade do Estado, controlo da imigração e responsabilidade individual. Em contraste, um Estado obeso, impostos elevados, salários baixos e uma economia dependente são vendidos como moderação.

Este regime assenta num bloco político estável: o Partido Socialista estrutura e protege o sistema; o PSD garante a alternância sem ruptura; a Iniciativa Liberal adapta-se quando devia confrontar; e o CDS-PP foi absorvido pela lógica que dizia combater. Siglas diferentes, mesma lógica de poder. Nos momentos decisivos, unem-se por autopreservação.

Ventura rompe este equilíbrio. Não ameaça a democracia — ameaça o monopólio político, mediático e moral do regime. Por isso é atacado sem debate, rotulado sem análise e condenado sem julgamento político. A acusação de “extrema-direita” serve para interditar perguntas incómodas: quem beneficia do Estado atual, quem vive dos privilégios e quem paga a conta.

O mesmo acontece com a imigração: defender regras é tratado como ódio, enquanto a desregulação que pressiona salários e gera tensões sociais é apresentada como virtude moral. Esta inversão não é inocente — é funcional ao regime.

A experiência italiana revelou a farsa. Giorgia Meloni foi alvo das mesmas campanhas de medo. Governa, e nada do anunciado aconteceu. Não houve ditadura nem colapso democrático — houve autoridade política e afirmação do interesse nacional.

É isso que o regime português teme que Ventura prove: que o “perigo” era competência, que o “extremismo” era determinação, e que a democracia não morre quando o sistema perde o controlo.

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