quarta-feira, 17 de junho de 2026

 

A Missão de Servir

Talvez uma das maiores batalhas dos nossos dias seja devolver a credibilidade à política e restaurar a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. O descrédito atingiu um nível tão profundo que a frase "são todos iguais" se tornou uma espécie de sentença coletiva sobre aqueles que escolhem a vida pública.

Esta perceção não surgiu por acaso. Ao longo dos anos, demasiados episódios de demagogia, oportunismo, promessas incumpridas, corrupção e falta de transparência contribuíram para afastar os cidadãos da política. Muitos deixaram de acreditar que seja possível fazer diferente e passaram a olhar para o exercício de cargos públicos com desconfiança e resignação.

Mas será inevitável que a política continue a ser vista desta forma? Será que estamos condenados a aceitar que servir a comunidade é apenas um pretexto para servir interesses pessoais? Ou teremos ainda a capacidade de construir uma nova forma de encarar a política, assente na responsabilidade, na honestidade e no compromisso com o bem comum?

A mudança não acontecerá apenas através de discursos ou promessas. Ela exige exemplos. Exige pessoas dispostas a colocar o serviço acima da conveniência, a missão acima da ambição e o dever acima do interesse próprio. Exige cidadãos que não se limitem a criticar, mas que tenham a coragem de participar, de contribuir e de assumir responsabilidades.

Quando o receio e a dúvida se fazem sentir, é precisamente a coragem que deve responder ao seu apelo. E quando a vontade de servir se une à autenticidade do caráter, nasce um propósito maior: inspirar aqueles que desejam fazer a diferença, mas que ainda não encontraram o impulso necessário para dar o primeiro passo.

É tempo de juntar a humildade à coragem, a determinação ao espírito de serviço e a competência à integridade. É tempo de mostrar, através das ações e não apenas das palavras, que a política pode voltar a ser uma atividade nobre, orientada para o bem comum e para a construção de uma sociedade mais justa e mais solidária.

Num tempo em que tantos procuram referências, devemos ser voluntários da coragem, exemplos de dedicação e agentes de mudança. Porque servir os outros continua a ser uma das mais elevadas formas de realização humana e de compromisso cívico.

Acredito que chegou o momento de substituir o medo pela coragem, o oportunismo pela missão de servir e a indiferença pelo sentido de dever. A dignidade de servir deve voltar a ser o padrão que honra o cidadão e enobrece a democracia.

Quando a política recuperar a sua vocação de serviço público, quando os eleitores voltarem a reconhecer nos seus representantes valores como a seriedade, a honestidade e a verdade, então talvez possamos começar a desfazer a ideia de que "são todos iguais".

A confiança não se impõe. Conquista-se. Porque queros ser uma  "ALTERNATIVA" e só será conquistada por aqueles que tiverem a coragem de servir.

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