quinta-feira, 20 de setembro de 2012

                                                      Um passado com futuro


Contam-se lendas,histórias,contos e realidades que até parecem histórias contos ou lendas ,mas que na realidade são vivências que ao longo da vida nunca mais esquecem.
Seria impensável nos dias de hoje,por exemplo:ir para a escola a pé fazendo sete ou mais quilómetros,mas na década de sessenta isso era comum.Primeiro que o transporte era raro e caro,depois que o orçamento das famílias não cobria esses luxos e quem quisesse sobreviver financeiramente teria de se sujeitar a esse modo de vida.E não valia a pena ficar dramatizando nem exigindo aos pais semelhante benesse,pois isso era caso encerrado e impossível de poder vir a concretizar-se.Imaginem por exemplo,andar uma semana com uma moeda de dois escudo e cinquenta cêntimos no bolso para que,caso tivesse fome ou atraso no percurso de casa para a escola ou vice verso,tomar um café e comer um bolo de arroz,ou para subir no autocarro que para a época custava dois escudos e vinte cêntimos,se a chuva prevalecesse.Ter única e exclusivamente dois pares de sapatos e dois de calças,meia dúzia de camisa que por acaso algumas já tinham  sido usadas pelos irmãos mais velhos,e a felicidade que proporcionava quando,a mãe chegava a casa em Setembro com um par de sapatilhas brancas,uns calções brancos e a camisola branca era uma das cinco ou seis que tinha na gaveta da cómoda,o mais nova era a que se usava tudo isso para a educação física (ginástica).
Impensável querer comprar alguma revista de banda desenhada ou até aquele carrinho de plástico,as colecções de cromos com o rebuçado dentro só eram possíveis se das economias dos dois escudos e meio pudessem ser usados vinte ou quarenta centavos para esse efeito e depois aqueles colegas que o pai tinha uma mercearia ou tinha um emprego no Hinton ou no Leaccock  e que levavam todas as semanas cinco ou dez escudos e muitas vezes dado ao óptimo relacionamento que existia e não haviam porcarias em que gastar o dinheiro era um gelado ou um pirata no Martins Anjo,e a felicidade e a amizade ficava marcada para toda a vida por esse gesto de solidariedade daqueles que a sorte tinha sido mais favorável em detrimento dos que não tiveram a felicidade de serem bafejados por ela.
Os livros eram caros mas,os dos primos que anos anteriores tinham estudado e serviam na perfeição para os estudantes de anos posteriores,tinham um aspecto de cuidado exemplar,quase como novos metidos numa pasta de cabedal que serviu o irmão mais velho e o primo com idade intercalada,agora serviriam para esta experiência alucinante que era ir para o liceu estudar e a alegria foi maior pelo facto da pasta já com aspecto do uso dado,ser-lhe efectuado um milagre na Casa Faria de colocar-lhe trincos novos e tingida de preto parecia de um executivo.
Depois das férias passadas a mondar os jardins,regar as flores,varrer o quintal,deitar comer às galinhas,enfim,aquelas pequenas tarefas que eram obrigatórias para poder requisitar a dispensa para durante a tarde ir ter com os amigos da vizinhança partilhar as brincadeiras típicas das crianças desse tempo.Eram horas sem fim que logo que caia a noite e o toque de recolher soava,parecia que o dia só tinha seis horas, mas na realidade foi esse o tempo que a brincadeira e a partilha com os amigos absorveu sem dar-mos conta.
Graças a todas estas e outras peripécias apresenta-se um futuro digno de quem viveu uma infância aprazível e proporcionou um futuro digno de felicidade e bem estar,capaz de estar preparado para que o futuro que se apresenta incógnito,estar preparado para tempos difíceis,pois os caprichos e as vaidades são colmatadas facilmente com paz e tranquilidade e muito amor e dedicação aos seres que nos rodeiam.
As verdadeiras histórias às vezes não comovem mas podem servir para reflectir.

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