quinta-feira, 23 de junho de 2016

Carta (entre)aberta ao Sr. Presidente da República

 Acheu miotonteressante e importante que achei porbem publicar.
Juvenal Pereira
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A Vossa Excelência, decidi informar que a partir de hoje, de borla, não vou mais votar. Ou seja, de futuro para que eu vá votar terão de me pagar. E tomei esta decisão por saber que os beneficiados com os meus votos nada fazem de graça em prol da Nação. E se eles se pagam e repagam pelos trabalhos prestados, eu, com o meu voto, que os coloco no “poleiro” questiono: por que razão não tenho direito a receber dinheiro? Até agora tenho feito, gratuitamente, esse sacrifício, porque pensava tratar-se de um acto cívico. Hoje estou convencido que não passa de conversa fiada de político. E o mais grave, Sr. Presidente, é que ao votar estou, infelizmente, a dar lugar a que muito irresponsável e incompetentemente assuma as rédeas em vários sectores do meu País e leve-o para onde bem entende. Ou seja, para o descalabro permanente. E eu não me sinto bem com isso, Sr. Presidente. Daí juntar-me aos milhares de descontentes e indignados que já representam quase 50% do eleitorado. Sabe, Sr. Presidente, o que já se ouve dizer por muita gente consciente e bem formada?
Que o país desde há muito está transformado numa sociedade (não) anónima de irresponsabilidade ilimitada! E, claro, eu, ao votar, estou com isso a colaborar. Sinceramente, Sr. Presidente, não conte mais com o meu aval para prosseguir este tipo de sociedade em Portugal.
Desde as impunidades, às tristes, vergonhosas, inqualificáveis discriminações sociais, apoiar não sou capaz. Mandar para “prisões domiciliárias”, onde podem fazer vidas milionárias, presumíveis responsáveis pela miséria, pela fome e tristeza que bateram à porta de milhares de famílias portuguesas? Conceder o descomunal “estatuto” de imunidade a quem, mais do que ninguém, pelos seus actos, deveria ser chamado a responsabilidades? Discutir – como se fosse um grande mal – aumentos miseráveis no salário mínimo nacional, mas permitir aumentos de milhares de euros a gestores de empresas bem conhecidas que se não fossem as injecções de dinheiros públicos estavam falidas? E mais e mais, que se fosse para aqui escrever V.ª Ex.ª teria de tirar uma semana de férias para ler. Os corruptos, os ladrões, que são desde há anos aos montões, mesmo sendo condenados, a reporem o que roubaram não são obrigados.
Os que trabalham, que têm hora de entrada, mas não de saída, porque esta exploração lhes é permitida... Enfim, estes consentidos procedimentos, juntos ao oportunismo e demagogia, não fazem parte do meu conceito de democracia. Gostava, ainda, de falar dos “podres” da Saúde, da Educação, da visível pobreza que visa esconder os focos existentes de riqueza, mas não tenho tempo, Sr. Presidente. Quero acabar dizendo-lhe: se nada disto se alterar não conte mais comigo para votar, mesmo a pagar.
Votei em si e ainda não me arrependi. Sei que a nossa velha e caduca Constituição não lhe concede margem para muita intervenção. Mas a palavra de um Presidente que conta com o apoio das suas gentes tem muito mais peso, mais credibilidade, as pessoas confiam mais no que diz, do que naquilo que dizem, por exemplo, muitos deputados e autarcas deste País. Tenha isso em mente, Sr. Presidente, a bem de Portugal e das suas gentes.
Os meus cumprimentos.

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