domingo, 26 de junho de 2016

                                                   O velho merceeiro
Quando do tempo das mercearias onde se compravam: 1/4 quilo de açúcar, 100 gramas de banha, 125 gramas de café de cevada e 50 gramas do bom, 1/2 quilo de macarrão, e 1/2 quilo de arroz e 1 litro de petróleo ou 5 quilos de lenha, que deveria sustentar uma família de 4 ou 5 pessoas, houve clientes que não conseguiam gerir esses bens e então muitas vezes optavam por levar o rol e comprar fiado, que depois pelo facto de não terem trabalho durante um período, havia quem fosse acumulando ao longo de um certo tempo, via-se na impossibilidade de cumprir com a responsabilidade do respectivo pagamento e daí o merceeiro teria que cortar o crédito, e muitos usavam um modelo chantagista que era: se não continuar a fornecer fiado, não pago aquilo que devo. (Não esquecer que esta situação dava-se após o terminus de uma guerra mundial). Ora o coitado do merceeiro entre a espada e a parede e às vezes com a consciência que ficariam pessoas à fome e o cliente até era um gajo porreiro e durante muito tempo cumpriu fielmente ou regularmente o compromisso, voltava a fornecer a crédito, depois o que podia acontecer? ou recuperava a dívida quando o freguês tivesse condições financeiras para fazê-lo, ou ficava com aquilo que vulgarmente chamavam na altura: um cachorro. Parece que esta história real, tem muito a ver com aquilo que a actual união europeia faz com os países devedores que foi-lhes dado um crédito, supostamente para gastarem em investimentos rentáveis, mas pelo facto de não terem sido gerido por pessoas conscientes ou à partida estavam colocadas estrategicamente para canalizar estes créditos em benefício próprio ou de seus «amigos», e o que deveria ser convertido em investimento rentável, tornou-se num pesadelo para a grande maioria dos que diariamente trabalham e agora é-lhes exigido o pagamento de um empréstimo, com o qual muito pouco beneficiaram a não ser em cimento e alcatrão.
Será que o erro é de quem pediu ou de quem emprestou, com a artimanha de poder lucrar a longo prazo com o erro de quem foi incapaz de fazer valer as suas capacidades de poder fazer render esse empréstimo, para desenvolver o seu país? Afinal deram um cartão de crédito a quem nem tinha onde cair morto fazendo-o pensar que podia gastar com fartura aquilo que não tinha?
Agora começa o populismo a aproveitarem-se dos erros e das más gestões para implementarem um diálogo esperançoso onde contam-se múltiplas soluções para uma doença criada pelos políticos usando a democracia como parceira, quando na realidade essa mesma democracia foi manipulada deixando o povo condicionada aos interesses instalados. E o grande culpado é sem qualquer dúvida o vírus da corrupção. Está na hora de mostrar-mos mais interesse por aquilo que nos diz respeito no nosso dia a dia, as promessas contrárias aos erros que até aqui criaram a catástrofe económica a que mergulharam os povos do sul da Europa, poderá ser uma faca de dois gumes, teremos que ter uma atitude própria e raciocinar naquilo que são as necessidades básicas de cada um de nós. Não continuemos a pedir fiado para assentar no rol com a chantagem de se assim não for não pagamos nada, teremos de agir e exigir de que, quem desperdiçou(roubou) que pague a dívida e que não obrigue a quem continua a produzir e a sustentar o equilíbrio financeiro do país, seja forçado a pagar aquilo que nem sequer uma única vez lhes perguntaram se queriam que pedíssemos.
Os povo britânico virou as costas à Europa, será que ficou a dever alguma coisa? no nosso caso, acho a situação que estamos num plano oposto. A situação dos nosso vizinhos espanhóis aguarda solução de uma situação muito conflituosa, dado o descrédito a que os político que até aqui conduziram a democracia com uma política errada. Não queiramos copiar situações semelhantes, esta solução nada abona a estabilidade do nosso país. Só uma solução servirá: fim da corrupção, e quem roubou que pague e isso terá de haver outro comportamento na nossa justiça.

Sem comentários:

Enviar um comentário