Consciência cívica
O cidadão comum cada vez mais farto de política, políticos, corrupção, noticias de casos que enchem todos os dias jornais inteiros e horas infinitas de noticiários televisivos, cada vez mais debatem-se numa situação já não acredita em nada nem em ninguém e com tanta incerteza, que começam a duvidar da democracia. Já são tantos os casos de corrupção no nosso país que perdemos a conta. Mas porque razão até os políticos governantes ou da oposição se acusam dia após dia sobre quem faz cada vez mais e pior governação, e os argumentos não são nunca as soluções mas sim tudo aquilo que de mau foi feito no nosso país ao longo de várias décadas de regime democrático. Vivemos num país onde os partidos (clãs) e os políticos que os apoiam, degladiam-se em acusações a ver quem foram aqueles que mais prejudicaram o país. A justiça neste país parece querer apagar um caso com a outro ainda pior que o anterior, não encontrando qualquer solução para centenas de situações que todos os dias tomamos conhecimento e sempre sem solução aparente. A forma como são tratados todos os casos que saem à luz pública, deixa transparecer que existem interesses muito fortes para que se mantenham impunes e sobre tudo encobertos da realidade e a consequente penalização dos infractores. Uns roubam e acusam os outros que na sua administração também roubaram, mas ambos os casos a impunidade persiste. A população farta de tudo isto já nem quer saber de falar em política e muito menos em políticos e a prova mais recente foi, as recentes eleições para o parlamento regional dos Açores que mais de 60% dos eleitores inscritos não compareceram às urnas, sinal de descontentamento e descrédito das instituições, e pior ainda que o partido mais votado regozija-se em ter ganho o acto com maioria, quando a verdadeira maioria virou as costas à política, aos políticos e o mais grave! abandonaram a democracia. Para onde caminhamos? o caos social está instalado e o total alheamento da população a tudo o que diz respeito ao dever de cidadania está pura e simplesmente aniquilado e tudo por culpa de gente sem escrúpulos que assassinaram o regime que tanto prometia. As populações sentem-se órfãos da liberdade, ignorantes da democracia, pois a mesma foi usada pelos governantes sem consciência social e apoderando-se do regime tal e qual um qualquer ditador, de forma a permitir que se diga mal daquilo que está mal, (em comentários de café ou numa esquina) mas continua a estar cada dia pior. Ou seja: converteram o remédio pior que a doença. Na incerteza de uma população totalmente desamparada, sem forças para combater numa batalha tão desigual e sem vontade de usar a única arma que lhe é disponibilizada, o povo atirou ao lixo a única arma que lhe permitia lutar, o voto! deixou-se aniquilar pelo poder dos corruptos e de todos os que se aproveitaram para fazer da democracia a sua fonte de sobrevivência à custa da «ignorância» democrática de um povo, que parece que afinal nunca acreditou que poderia usar a seu favor, a liberdade que a democracia consagra. Precisamos de tomar plena consciência da grave situação que o nosso país atravessa, sem virar as costas à responsabilidade cívica de cada um, porque o voto é a única arma do povo, é necessário pegar na arma e arremessá-la conta aqueles que ao longo de quatro décadas fizeram acreditar que tudo não passa de sermos o tal país dos brandos costumes. Estamos sempre a tempo de recuperara a nossa dignidade de povo impondo a nossa força com a arma da liberdade.
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