sábado, 20 de junho de 2026

 

O peso da Liberdade 

E não é que a liberdade dá imenso trabalho?                                                                                               Porque nem sempre sentimos a vontade de servir, muito menos a coragem para avançar, o empenho e o espírito de sacrifício necessários para agir, ou até a plena consciência da responsabilidade que temos de assumir.                                                                                                                                                    Para muitos de nós, é muito mais fácil cumprir um horário estipulado, executar uma tarefa e, no final do mês, contar os trocos para os gerir de acordo com as nossas necessidades. Porém, quando essas necessidades aumentam progressivamente e os trocos continuam sempre os mesmos, a nossa capacidade de sobrevivência diminui. A vontade perde fulgor, o desânimo começa a fazer o seu efeito e a desilusão alimenta a fadiga.                                                                                                                   Por vezes, parece que temos tudo para fazer mais e melhor. No entanto, deparamo-nos com uma realidade semelhante à de uma corrida de 1.500 metros: arrancamos animados e preparados para competir, mas rapidamente percebemos que a nossa pista está cheia de obstáculos, enquanto a dos adversários permanece livre. Ainda assim, a vontade de chegar ao fim é tão grande que arriscamos tudo para alcançar a meta. E aquilo que para muitos poderá parecer uma derrota transforma-se, para nós, numa vitória moral, porque fomos capazes de competir em circunstâncias profundamente desiguais. Quem nunca teve fracassos, obstáculos e desilusões que o obrigaram a desistir? Quem nunca considerou inútil um esforço que, ao longo do tempo, não produziu os resultados ou o sucesso desejados? Quem nunca lutou arduamente por um objetivo, sentiu as dificuldades para o alcançar, desistiu por momentos, mas acabou por tentar novamente quando surgiu uma nova oportunidade, movido pela persistência, pela teimosia ou pela paixão?                                                                             E quando, por vezes, nos parece estar perante o fim da nossa última oportunidade, somos invadidos por ressentimentos e dúvidas que nos fazem questionar a capacidade de continuar a avançar. Nesses momentos, a incerteza pesa, a confiança vacila e o caminho parece mais difícil. Porém, é frequentemente nesses instantes de maior fragilidade que descobrimos reservas de força que desconhecíamos possuir e encontramos razões para recomeçar.                                                             Nos dias de hoje, é cada vez mais difícil dedicarmo-nos a uma causa em que acreditamos. A sociedade perdeu grande parte da confiança nas instituições, a credibilidade da classe política encontra-se fragilizada, a confiança na democracia foi abalada e a esperança na liberdade parece enfraquecer.         Se ainda existe alguém com coragem para continuar a lutar, os defraudados acusam-no de interesseiro, os desiludidos de oportunista, os invejosos de tachista e os incapazes de cúmplice. Infelizmente, a coragem não é para todos; pertence apenas àqueles que continuam a acreditar que é possível fazer mais e melhor.                                                                                                                                             Quando trocarmos a inveja pela abnegação, a ganância pela generosidade, o ócio pelo empenho, a preguiça pela diligência e o desleixo pela responsabilidade, estaremos a caminhar ao encontro de muitas das soluções para os problemas que afetam a nossa sociedade.                                                                   A coragem e a vontade de fazer algo diferente podem transformar-nos na marca de uma alternativa. Porque a liberdade não é apenas um direito: é também uma responsabilidade. E é precisamente por isso que dá tanto trabalho.

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