Esconderam a liberdade
Alguém escrevia um dia; no dia em que o povo acordar, os políticos não vão conseguir dormir. No entretanto a população continua num sono profundo à espera que algo mude muito à custa daquilo que se mantém já la vão 44 anos. Implantado em 25 de Abri de 74 aquilo que foi designado de regime democrático, e cujo slogan era se bem se lembram: «o povo é quem mais ordena». Passados todo estes anos esse povo que viveu as emoções da queda de um regime totalitário, que supostamente criaria um modelo onde a igualdade de oportunidade e de direitos prevaleceriam. Analisando o estado actual do país, chega-se à conclusão que o único que se alterou foi o grau de aproveitamento de alguns pela oportunidade que a democracia concedeu. O modelo implementado falhou rotundamente, bem por culpa da população, mas com a cumplicidade premeditada daqueles que agitando a bandeira da liberdade aproveitaram-se dela, para obterem os dividendos e sequestraram a democracia tornado-a sua principal fonte desses dividendos. A educação das populações para exercerem efectivamente os seus direitos que a verdadeira democracia consagra, foram pura e simplesmente barradas pela justiça criada à volta da protecção de grupos de interesses subjugados ao regime e que erradicou completamente a oportunidade de cada cidadão exercer o seu direito, para tal só com o consentimento dos partidos políticos que comprometidos com os seus interesses, aceitaram que cada quem fizesse o seu papel na defesa dos seus individuais interesses. Passados todos estes anos, a desilusão, o descrédito, a frustração tomou conta da maioria da população que sem forças e sem alento, virou as costas à democracia, e escondeu a liberdade para ver se lhes é dada uma nova oportunidade. A impunidade com que os portugueses vêem passar diante dos olhos centenas de casos de corrupção, dá a sensação de que a corrupção está institucionalizada e o roubo legalizado, pois a justiça em Portugal também escondeu a liberdade e só é usada para defender aqueles que foram os próprios a criar a leis. Já é tempo de abrir o baú onde a liberdade continua fechada, para que a democracia floresça como muitas vezes as plantas silvestres despontam mesmo rasgando o alcatrão das estradas. Porque o espírito continua vivo, é preciso ter a força da natureza e despontar para uma nova oportunidade que a democracia concede. Enquanto o corpo aguente, que a vontade não falte.
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