texto reconstruido para o "Folha Nacional"
Porquê a nossa democracia tem medo do CHEGA?
Desde 1974, o 25 de Abril serviu para propagar a liberdade e endeusar a democracia, mas foi também utilizado para diabolizar a direita democrática, sob o pretexto de que os 41 anos de regime autoritário durante os quais a liberdade de expressão era vigiada tinham como grande propósito silenciar aqueles que veneravam o socialismo e promoviam o comunismo.
Mas afinal, o que é que o regime de António de Oliveira Salazar perseguia?
Os setores comunistas e socialistas diziam que Salazar era fascista. No entanto, um protagonista do próprio processo revolucionário, Otelo Saraiva de Carvalho, afirmou em várias ocasiões que tal classificação não correspondia exatamente à realidade. Também Mário Soares declarou que Salazar não era fascista e que, apesar de tudo, não tinha utilizado dinheiro público para benefício pessoal.
A narrativa de classificar o ditador como fascista não era mais do que o espelho do contraditório: tal como Salazar rotulava os seus opositores de comunistas, também os seus adversários o rotulavam de fascista.
A partir daí, para implementar o socialismo, inicialmente pela força perseguindo, intimidando e, em alguns casos, recorrendo à violência contra conservadores e depois de forma dita democrática, foram sendo monopolizadas instituições, manipulada a educação, pressionados partidos da direita e condicionadas opiniões na comunicação social, conduzindo para um único campo ideológico setores fundamentais da sociedade.
Eliminados, supostamente, esses opositores; debilitadas e reduzidas à mínima relevância as Forças Armadas; retirada autoridade às forças de segurança; politizadas e partidarizadas a justiça, a educação e a comunicação social tornou-se mais fácil à extrema esquerda vender a ideia do socialismo e conquistar, de forma oportunista, a confiança de um povo humilde, pacífico e solidário.
Converteram solidariedade em submissão, tolerância em sujeição e doutrinamento em manipulação de mentalidades.
E eis que, de repente, se construiu uma nova realidade: destruíram-se décadas de esforço e sacrifício de um país que, com o trabalho dos seus cidadãos, chegou a possuir uma das maiores reservas monetárias do mundo. Após duas guerras mundiais e mais de meio século de história, e mesmo com a integração europeia há mais de 40 anos, continuamos a ser um país economicamente frágil e entre os mais atrasados da União Europeia no chamado mundo desenvolvido.
Daí surge a desilusão, a desolação e, em abril de 2019, depois de um sentimento coletivo de “basta”, nasce um novo movimento político pela mão de um homem: André Ventura.
Uma liderança firme e determinada, identificada com as situações que levaram o país à crise, ao descrédito na democracia e ao risco de hipotecar a liberdade.
Por isso, o sistema que socialistas e comunistas designaram de democracia e que, segundo os seus críticos, foi sequestrado, permitindo abusos, corrupção e desconfiança passou a temer o surgimento do Chega.
Quando, na visão dos seus apoiantes, esse partido surge com o propósito de restaurar a democracia, restituir a liberdade, resgatar valores sociais e devolver o poder político ao povo.
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